Podcast investiga o assassinato de Martha Moxley
Após 50 anos do assassinato de Martha Moxley, novo podcast reaviva mistérios e controvérsias sobre o caso que chocou Greenwich

No dia 30 de outubro de 2025, marca-se o cinquentenário do trágico assassinato de Martha Moxley, uma adolescente de apenas 15 anos, ocorrido no exclusivo bairro de Belle Haven, em Greenwich, Connecticut. A jovem foi encontrada sem vida sob um pinheiro em seu quintal na manhã seguinte ao crime, tendo sido brutalmente agredida com um taco de golfe e esfaqueada com um pedaço do mesmo.
Apesar da gravidade do ataque e da exposição de sua calça e roupa íntima, a investigação policial não encontrou indícios de agressão sexual. O ato violento chocou a comunidade local, que até então não conhecia esse tipo de criminalidade.
Após um longo período de investigações que durou quase três décadas, Michael Skakel, que era vizinho de Martha e membro da proeminente família Kennedy, foi condenado pelo crime. No entanto, essa condenação foi anulada em 2018, reabrindo o debate sobre o caso e alimentando a curiosidade do público em relação aos detalhes perturbadores do assassinato e às influentes famílias envolvidas.
Agora, com a aproximação do 50º aniversário da morte de Moxley, um novo podcast produzido pela NBC News Studios e Highly Replaceable Productions intitulado “Dead Certain: The Martha Moxley Murder” questiona as conclusões previamente estabelecidas por autoridades, jornalistas e entusiastas do gênero true crime sobre os eventos daquela noite fatídica.
Podcast
Em uma série composta por mais de uma dúzia de episódios cativantes, o experiente jornalista Andrew Goldman explora a narrativa desde suas origens, utilizando acesso sem precedentes a uma extensa gama de documentos relacionados ao caso e testemunhos diretos de pessoas ligadas às famílias Moxley e Skakel. Entre esses relatos estão entrevistas inéditas com Michael Skakel.
A produção de “Dead Certain” levou mais de dez anos, refletindo a profundidade das investigações realizadas por Goldman. Ele enfrentou desafios como memórias desfocadas e a ausência de várias testemunhas que faleceram desde o auge do caso. “Houve momentos em que pensei que não conseguiria continuar”, compartilha Goldman. “Foi como tentar arrancar a vitória das garras da derrota”.
No início da série, Goldman revela que, assim como muitos outros, sempre acreditou na culpabilidade de Michael Skakel pelo assassinato. Nascido em Connecticut e fascinado pelas histórias envolvendo a “Maldição dos Kennedy”, ele começou sua própria investigação após ser convidado em 2015 pelo primo de Skakel, Robert F. Kennedy Jr., para escrever um livro defendendo a inocência de Michael.
Quando finalmente teve a oportunidade de conversar com Skakel — que passou mais de uma década encarcerado — Goldman se surpreendeu com o contraste entre a realidade do homem e a imagem negativa projetada pela mídia.
Nos episódios iniciais do podcast, o jornalista narra como as investigações policiais enfrentaram dificuldades constantes desde o início, com várias teorias sendo descartadas sem levar a um suspeito claro. Dois irmãos adolescentes da vizinhança — Thomas e Michael Skakel — foram considerados potenciais culpados devido à associação do taco usado no crime à família deles e ao fato de Thomas ter sido visto por último com Moxley viva. A notoriedade dos irmãos aumentou ainda mais devido ao seu parentesco com Ethel Skakel Kennedy.
Investigações
O caso permaneceu estagnado por muitos anos até ser reaberto na década de 1990 após novos escândalos envolvendo os Kennedy e publicações relacionadas ao julgamento de O.J. Simpson. Um livro escrito por Dominick Dunne apresentou uma versão ficcionalizada do assassinato, enquanto outro texto publicado por Mark Fuhrman sugeria Michael como principal suspeito com base em informações obtidas em uma investigação particular encomendada pela família Skakel.
Uma nova linha investigativa surgiu em 1998 resultando na acusação formal contra Michael Skakel no ano 2000. Ele foi considerado culpado em 2002 e recebeu pena equivalente à prisão perpétua após testemunhos contestados sobre supostas confissões feitas durante seu tempo em um internato. A saga judicial se prolongou até que uma nova defesa argumentasse a ineficácia do advogado anterior, culminando na liberação provisória de Skakel e na decisão do estado em não reprocessá-lo em 2020.
A vantagem competitiva de Goldman reside no fato de que ele teve acesso ao completo arquivo do caso após a anulação da condenação — incluindo relatórios policiais e gravações — permitindo-lhe explorar aspectos que outros comentaristas não puderam abordar integralmente devido às limitações impostas pelas fontes disponíveis na época do julgamento.
Conclusões
Alexa Danner, produtora executiva do podcast “Dead Certain”, menciona que cada nova informação revelada acrescenta complexidade à história já multifacetada: “O julgamento é quase o ponto médio da narrativa”, diz ela, destacando que o enredo abrange cinco décadas com múltiplas gerações envolvidas.
Os ouvintes mais jovens serão cativados pela quantidade surpreendente de pistas enquanto aqueles familiarizados com o caso verão suas percepções desafiadas—particularmente no que diz respeito à figura pública apresentada nos meios sobre Skakel. Goldman retrata-o como alguém que superou traumas significativos antes da acusação que ainda clama ser injusta.
Segundo a ‘Rolling Stone Brasil’, a aceitação ou rejeição da inocência dele depende da perspectiva individual; “Dead Certain” instiga debates intensos sobre a natureza da verdade nas investigações criminais. Após anos dedicados ao estudo deste caso emblemático, Goldman admite ainda carregar dúvidas sobre os acontecimentos daquela noite fatídica.
“Essa história continua me atormentar”, confessa Goldman. “Depois de tanto tempo investigando-a, frequentemente revisito minhas conclusões”.