Observatório inicia criação do mais detalhado filme do universo
Com a maior câmera digital do mundo, programa dará início a um filme em time-lapse de dez anos que registrará as transformações do céu

O Observatório Vera C. Rubin deu início à primeira etapa de um dos mais ambiciosos projetos da astronomia moderna. A instalação será responsável por produzir um registro contínuo das mudanças do céu visível a partir da Terra ao longo dos próximos dez anos, criando o que poderá se tornar o mais detalhado “filme” do universo já realizado.
O objetivo é fotografar repetidamente todo o céu do hemisfério sul a cada poucos dias utilizando a maior câmera digital já construída. A sequência dessas imagens permitirá acompanhar a evolução de estrelas, galáxias, asteroides e outros corpos celestes em uma escala sem precedentes, formando uma espécie de time-lapse cósmico.
O projeto faz parte do Levantamento Legado do Espaço e do Tempo (LSST), iniciativa financiada pela Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos e pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos. A missão foi oficialmente iniciada em 30 de junho e deverá produzir uma quantidade inédita de informações sobre o universo.
Filme do universo
Além de registrar as transformações do céu noturno, o levantamento buscará identificar asteroides ainda desconhecidos, incluindo objetos potencialmente perigosos que possam representar risco de colisão com a Terra. Os dados também poderão contribuir para ampliar o conhecimento sobre dois dos maiores mistérios da cosmologia: a matéria escura e a energia escura, componentes que, embora invisíveis, compõem grande parte do universo.
Antes do início da operação científica, a equipe responsável concentrou os trabalhos na calibração dos equipamentos, ajustando os parâmetros de funcionamento do telescópio e de seu espelho principal, que possui 8,4 metros de diâmetro e será responsável por captar a luz proveniente dos corpos celestes.
Um dos principais diferenciais do observatório é sua câmera de 3.200 megapixels, considerada a maior já desenvolvida para fins científicos. Combinada ao amplo campo de visão proporcionado pelo telescópio, ela permitirá capturar imagens com altíssimo nível de definição e monitorar rapidamente extensas regiões do céu.
Segundo Željko Ivezić, chefe de pesquisa do LSST, em entrevista à Scientific American, o campo de visão do Observatório Vera C. Rubin é cerca de cem vezes maior que o de telescópios semelhantes. Essa capacidade permitirá mapear o céu aproximadamente cem vezes mais rápido do que os equipamentos atualmente utilizados, estabelecendo uma nova escala na coleta de dados astronômicos.
Ao longo da próxima década, os registros produzidos pelo observatório deverão acompanhar fenômenos que normalmente passam despercebidos pela observação humana, oferecendo aos cientistas uma visão dinâmica do universo e permitindo acompanhar sua evolução com um nível de detalhes nunca antes alcançado.