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Obra é removida de galeria por polêmica envolvendo papel de Churchill na fome de Bengala

Obra de arte que critica o papel de Churchill na fome de Bengala foi removida após organização de críticos do National Portrait Gallery

Foto de Winsotn Churchill e Bengaleses com fome para ilustrar o papel de Churchill na fome de Bengala
Foto de Winsotn Churchill e Bengaleses com fome para ilustrar o papel de Churchill na fome de Bengala - Créditos: Getty Images

Recentemente a vencedora do prêmio Turner, Helen Cammock, teve uma obra de arte retirada da National Portrait Gallery (NPG) após união de críticas de 50 colegas. A obra em questão é uma videoinstalação chamada “Persistence”, que criticava, em uma única frase, o papel de Churchill na fome de Bengala.

Conforme os historiadores, o ex Primeiro Ministro da Inglaterra, Winston Churchill, ficou à frente do país durante a Segunda Guerra Mundial. Contudo, durante os anos de guerra, especialmente em 1943, desviou toneladas de cargas de arroz para as tropas e deixou com que o atual território de Bengala passasse fome.

Na obra de Cammock, uma peça de 40 minutos focada nas campanhas à Irlanda de Oliver Cromwell, contém a seguinte frase: 

ele deixou as pessoas famintas, em massa, um pouco como a fome intencional da população indiana por Winston Churchill”.

Diante dessa frase, mais de 50 artistas e pessoas influentes da Inglaterra, dentre eles o próprio neto de Churchill, Sir Nicholas Soames, se reuniram e fizeram pressão para que a obra fosse removida. Assim, na segunda-feira, 22 de junho, Helen Cammock removeu a instalação.

O papel de Churchill na fome de Bengala

Primeiramente, é importante esclarecer que a tragédia de Bengala ocorreu em 1943, durante os anos da Segunda Guerra Mundial. Nesse sentido, Bengala era responsável por abastecer a população britânica, muito em decorrência das relações coloniais que se construiu entre os dois povos.

Porém, há dezenas de relatos que indicam que Winston Churchill foi avisado de que Bengala estava passando por um momento de fome, mas ignorou. Conforme o The Guardian, ainda há relatos de que ele culpabilizou os próprios bengaleses por não conseguirem se abastecer.

Desse modo, a fome em Bengala foi responsável pela morte de 3 milhões de pessoas. Ou seja, como se toda população do Catar, da Moldávia, da Namíbia ou até mesmo de Brasília morresse por inanição.

Contudo, esse caso ocorreu também por uma “letal escassez de alimentos causada por desastres naturais e exacerbada pela má gestão local e problemas de abastecimento em tempo de guerra”, segundo o The Telegraph. Resumindo, Bengala produzia alimentos mesmo nas condições complicadas, mas enviou a maior parte para abastecer a máquina de guerra de Churchill, o que causou a morte de milhões de pessoas.

As críticas e a união

Porém, junto do neto de Churchill, outras 49 pessoas influentes disseram que a alegação de Cammock era um “desabafo de motivação ideológica” e que na realidade as coisas eram mais complexas.

Diante das acusações, a artista ainda tentou se defender. Mas devido à pressão, removeu o trabalho do NPG na segunda-feira. Logo após, a galeria informou que, como a decisão foi da autora, não podia fazer nada: 

respeitamos a decisão dela […] Assim como reconhecemos as opiniões daqueles que ficaram ofendidos com o que foi dito no filme.”

Conforme o The Guardian, Helen Cammock informou que se surpreendeu com a pressão para silenciar uma artista, que estava cumprindo o papel central da arte: “Questionar, desafiar e explorar ideias e histórias”.

Após o ocorrido, o NPG informou que abriu o espaço para a campeã do prêmio Turner fazer uma exposição que criticasse as coleções da galeria, mas que não sabia quais eram as opiniões postas no documentário.


*Sob supervisão de Giovanna Gomes


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Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: