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Novo estudo revela mais sobre engenharia dos primeiros bumerangues australianos

Estudo de antigos bumerangues australianos revela mais sobre combinação de conhecimento indígena de engenharia e significado cultural; entenda!

Bumerangues investigados em novo estudo / Crédito: Divulgação/Wurundjeri Woi-wurrung Cultural Heritage Aboriginal Corporation/Zara Lasky-Davison

Um estudo recente lançou luz sobre a intersecção entre o conhecimento indígena e a arqueologia, ao analisar um bumerangue australiano (também chamado de wangim) do século 19, que possui significados culturais profundos e uma engenharia sofisticada. A pesquisa, que contou com a colaboração de comunidades indígenas no sudeste da Austrália, centrou-se em um wangim encontrado em um suposto local de sepultamento nas proximidades de Yarra Junction, na terra dos Wurundjeri Woi-wurrung. O objetivo foi explorar tanto a habilidade artesanal quanto o patrimônio vivido dos Primeiros Povos da região.

Embora os bumerangues sejam amplamente reconhecidos como símbolos da Austrália, sua diversidade e complexidade vão muito além dos tipos que retornam. Dentro das culturas aborígenes, esses instrumentos de madeira desempenhavam funções variadas, que incluíam desde caça e combate até atividades de escavação, apresentações musicais e cerimônias. Este estudo, publicado na revista Australian Archaeology, se destaca por integrar a tradição oral indígena à análise funcional arqueológica, buscando elucidar a forma, função e significado desses objetos icônicos.

A equipe de pesquisadores analisou a forma, seção transversal e marcas de desgaste do wangim de Yarra Junction, comparando-o com outros bumerangues do sudeste australiano. Esses dados foram complementados pelo conhecimento comunitário compartilhado pelos anciãos dos Wurundjeri Woi-wurrung, que descreveram o processo de seleção, moldagem e conservação desses itens.

No caso específico do wangim, acredita-se que ele tenha sido esculpido a partir de um galho ou raiz naturalmente curvados, sendo moldado com água e calor para obter a curvatura desejada antes de ser finalizado com ferramentas metálicas — um detalhe que indica que o objeto foi criado após a colonização europeia.

Investigação

Exames microscópicos revelaram resíduos e marcas de desgaste que fornecem informações valiosas sobre seu uso. Marcas de impacto, impressões da mão direita e até vestígios de sangue sugerem que o bumerangue foi utilizado na caça. Marcas de queimadura e carvão indicam que ele também pode ter sido empregado para alimentar fogueiras ou reparar-se, demonstrando que cumpria mais de uma função durante sua vida útil. Apesar da sua utilidade prática, o wangim foi cuidadosamente mantido e eventualmente enterrado junto ao seu proprietário, indicando uma ligação pessoal e possivelmente espiritual.

Quando comparado a outros bumerangues guardados em museus, o exemplar de Yarra Junction se destaca por sua curva mais ampla, extremidades arredondadas e simetria única, características não encontradas em outros exemplos. Essa forma distinta pode ter sido especialmente criada para atender às preferências do seu proprietário ou às condições locais específicas da caça.

O estudo também ressalta a conexão duradoura entre o patrimônio material e o conhecimento tradicional. Por meio dos anciãos que ainda confeccionam bumerangues atualmente, os pesquisadores confirmaram que cada forma e curva está relacionada a comportamentos específicos de arremesso e usos pretendidos. Tipos que retornam e não retornam eram elaborados com precisão notável, refletindo séculos de saber acumulado sobre aerodinâmica.

Além do conhecimento técnico envolvido, a pesquisa evidencia a persistência cultural do povo Wurundjeri Woi-wurrung, conforme repercute o Archaeology News. Embora o wangim pertença a um período em que grupos indígenas eram deslocados de suas terras, ele representa um exemplo de resiliência e adaptabilidade — comprovando que tecnologias tradicionais continuaram a evoluir sob novas circunstâncias.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.