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Exposição sueca promete apresentar novas faces de diarista negro do século 18

Nascido escravo, Adolf Badin se tornou parte da corte real sueca e deixou legado no país; suas cartas, livros e aparições contam uma nova história

Quadro de Adolf Badin
Quadro de Adolf Badin no Museu Nacional Estocolmo - Créditos: Getty Images

Muito conhecido como o ex-escravizado que viveu na corte sueca, a exposição do Museu Nacional de Estocolmo promete apresentar uma nova história mais completa sobre Adolf Badin. Conforme os organizadores, mais que os relatos sobre o cortesão, seus diários serão expostos ao público.

Escravizado aos 10 anos e “criado” pela rainha sueca Louisa Ulrika, Badin foi camareiro, secretário do tribunal, mestre de balé e funcionário público. Apesar da fama nacional, especialistas apontam pouca pesquisa sobre o artista sueco — e a exposição vem como protesto a isso.

A vida de Badin

Primeiramente, vale a pena destacar que “Badin” não era nome do cortesão; na verdade, esse foi um apelido dado por sua característica “brincalhona”. Adolf Ludvig Gustav Fredrik Albrecht Couschi, ou Badin, nasceu entre 1747 e 1750 na antiga colônia dinamarquesa de St Croix (agora parte das Ilhas Virgens Americanas).

No entanto, devido ao sistema escravista, sua infância perto de sua família não durou muito. Pois logo aos 10 anos foi levado junto de seu “dono” Christian Lebrecht von Pröck até a Dinamarca.

Recebido pelo conselheiro do comércio sueco, Gustaf de Brunck, logo foi “doado” para a Rainha Louisa Ulrika. De acordo com os registros populacionais suecos, durante o tempo em que viveu, não haviam muito mais que 20 pessoas negras na Dinamarca.

Dessa forma, a história de Badin é excepcional e muito provavelmente a única de uma pessoa negra que há relatos da Dinamarca da época. Conforme a revista The Guardian, a rainha criou o rapaz com base nos ensinamentos de Jean-Jacques Rousseau.

Ou seja, Badin teve a liberdade de desenvolver livremente a sua forma de pensar, posição rara para pessoas negras na época. Com uma educação cristã, aprendeu a ler e a escrever, o que possibilitou que escrevesse seus diários e se envolvesse com a dança e o teatro.

A exposição

Assim, devido seu hábito de escrita de diários, quando morreu, Badin deixou uma vasta coleção de livros, trocas de cartas e uma autobiografia através de seus relatos. Com isso, tornou-se uma fonte reveladora para as questões de raça no século 18 em Estocolmo.

Diante da realidade atual do país, a exposição do Museu Nacional de Estocolmo surge como tentativa de valorizar essa figura tão singular na história européia

Desde análises sobre como fez para sobreviver no ambiente da corte à uma produção cinematográfica encomendada especificamente para a exposição, o museu promete mostrar esses novos lados de Badin.

Salad Hilowle, produtor do filme Maroonen (The Marooned), através de uma interpretação dos escritos de Badin, imagina como ele reagiria aos estudos atuais de sua vida e como o retrataram ao longo de sua história.

Ainda, o autor destaca que a característica “brincalhona” pode ter sido um meio de sobreviver, uma vez que, ao não demonstrar o quão bem educado era, não ofereceria “ameaça” aos outros cidadãos da corte. Em fala, sobre seu processo criativo, destacou:

Estou muito curioso em: como você sobreviveu? De que maneiras sobreviveu? Porquê ainda há muito pesar. É muito interessante porque isso deve ter custado muito para ele. Ainda mais estar nesses espaços quase como um camaleão, um metamorfo.”


*Sob supervisão de Éric Moreira

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: