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Excomungado, grupo ultraconservador aposta em novo Papa para retorno

Liderança da Fraternidade São Pio X afirma que reconciliação com a Igreja Católica ocorrerá futuramente, citando o exemplo de Bento XVI

Cerimônia de ordenação de quatro bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, realizada na Suíça sem autorização do Papa Leão XIV. A decisão levou à excomunhão do grupo pelo Vaticano. Foto: Harold Cunningham/Getty Images.

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X, um grupo de católicos ultraconservadores, vive um novo capítulo de sua tensa relação com o Vaticano. Após a formalização de uma excomunhão automática ocorrida na última quarta-feira, dia 1º de julho, a organização sinalizou que não pretende abandonar sua identidade, mas sim aguardar por uma mudança no comando da Igreja. O estopim para a ruptura definitiva foi a ordenação de quatro bispos sem o aval do Papa Leão XIV, ato considerado uma das infrações mais graves pelo direito canônico e que gera o afastamento imediato da comunhão eclesial.

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Desejo por sucessor

Durante uma celebração religiosa realizada no último domingo na cidade de Wil, localizada no nordeste da Suíça, o padre Georg Kopf dirigiu-se aos fiéis com uma mensagem de confiança no futuro. Conforme reportado pelo portal G1, o religioso, que é uma das vozes da seita dissidente, comparou o cenário atual com momentos de crise do passado e projetou um retorno sob uma nova liderança. “Um dia haverá outro papa que abrirá a porta e nos receberá de volta. Assim como o Papa Bento XVI“, declarou o sacerdote durante seu sermão proferido em alemão, referindo-se ao pontífice que, em 2009, buscou a unificação da Igreja e suspendeu excomunhões anteriores do grupo.

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Histórico de tensões

A organização foi fundada originalmente em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre. Desde então, a fraternidade acumula divergências profundas com a Santa Sé, especialmente por rejeitar as reformas modernas e manter a prática da missa tradicional em latim. 

Esta não é a primeira vez que o movimento enfrenta o isolamento total. No final da década de 1980, o próprio Marcel Lefebvre já havia sido punido após consagrar bispos, entre eles Michel Poinsinet de Sivry, sem o consentimento do Papa João Paulo II. Para os membros da organização, a fidelidade ao que chamam de verdadeira fé justifica o enfrentamento às autoridades atuais.

Ruptura sem arrependimento

Apesar da gravidade da sanção imposta por Roma, o discurso interno não demonstra sinais de recuo ou desejo de mudança, com o grupo afirmando que o atual pontífice falhou em ouvir suas preocupações. O padre Georg Kopf reforçou a tese de que a decisão de seguir com as ordenações foi um ato de proteção e zelo e não uma tentativa de estabelecer uma igreja paralela.

“Pelo contrário, foi justamente por amor à Igreja e ao papa que essas ordenações foram realizadas, para zelar pela salvação das almas”, afirmou o religioso. Para o Vaticano, contudo, a medida é automática, uma vez que a Igreja afirma ter oferecido canais de diálogo que foram ignorados antes da consolidação do cisma.


*Sob supervisão de Éric Moreira

Meu propósito é dar voz a narrativas.