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Estudo mostra que babuínos-da-Guiné dividem carne como os humanos

Análise de 320 casos indica que os primatas escolhem com quem compartilhar carne de acordo com a proximidade e a harmonia do grupo

Imagem ilustrativa do babuíno-da-guiné adulto / Créditos: Getty Images

Um estudo realizado por cientistas do Centro Alemão de Primatas revelou que uma espécie de macaco compartilha comida de forma semelhante aos humanos.

A espécie em questão é a dos babuínos-da-guiné (Papio papio), que chama a atenção pela forma como esses animais se organizam socialmente.

Organização social

Na pesquisa, foram analisadas as maneiras como o sistema social influencia o compartilhamento de carne entre os babuínos. Assim como os humanos, esses primatas mantêm organizações sociais próprias.

O hábito de dividir carne entre si segue um padrão de comportamento dentro dessas estruturas.

Um sistema de múltiplos níveis

A equipe observou os animais por nove anos, no Senegal, na África Ocidental, e analisou 320 casos de compartilhamento de carne.

Segundo o estudo, publicado na revista iScience, os babuínos-da-guiné vivem em um sistema social multinível. A primeira categoria é a unidade, formada por um macho, uma ou mais fêmeas e seus filhotes — equivalentes a pequenas famílias. Já os grupos são compostos por três a quatro unidades, geralmente com machos aparentados. Por fim, as gangues resultam da união de dois a três grupos distintos.

Os laços mais próximos tendem a ocorrer dentro das unidades, ou seja, no interior das famílias, onde os vínculos sociais são mais fortes e estáveis, conforme repercutido pela revista Galileu.

Vínculos definem

A divisão de carne acontece com mais frequência entre machos e fêmeas da mesma unidade ou entre machos do mesmo grupo. O compartilhamento também depende da proximidade e da harmonia nas relações sociais.

Entre os indivíduos mais próximos, a divisão ocorre de forma passiva e sem brigas; já em grupos maiores, pode gerar conflitos e até roubos.

Essa forma de compartilhamento tolerante lembra o comportamento de grupos humanos de caçadores-coletores, onde a carne é primeiro distribuída dentro da família e só então chega a conhecidos ou vizinhos mais distantes”, disse o principal autor do estudo, William O’Hearn, em comunicado.

Paralelo com humanos

Nas relações humanas, o compartilhamento de alimentos está diretamente ligado ao desenvolvimento das organizações sociais. Ao longo da história, o ato de caçar foi fundamental para a sobrevivência, o que levou as pessoas a desenvolverem vínculos próximos e cooperação em grupo.

Entre os caçadores-coletores, a caça de carne era essencial e fortalecia as redes de apoio e o senso de comunidade.

Os pesquisadores também analisaram modelos estatísticos, que mostraram que os babuínos mais próximos do “dono” da carne tinham maior chance de receber um pedaço.

O compartilhamento, no entanto, não é ativo: geralmente, um come e deixa a carcaça para que outro se alimente depois.

Ainda segundo a coautora Julia Fischer, “isso sugere que certos padrões sociais podem ter se desenvolvido independentemente em humanos e primatas não humanos, mas de formas comparáveis”.