Espanha concederá perdão a 53 mulheres presas por Franco
Estado espanhol concederá perdão às mulheres, que eram apenas meninas quando foram detidas para ‘reabilitação’

Um grupo de 53 mulheres, que estão entre as milhares que foram presas pelo regime de Francisco Franco, terá o perdão concedido pela Espanha.
As mulheres foram internadas na adolescência pelo Conselho de Proteção às Mulheres, um conjunto de instituições administradas por ordens religiosas, sob a alegação de que supostamente eram “caídas ou corriam o risco de cair”. O conselho era supervisionado por Carmen Polo, esposa do ditador general Francisco Franco.
O Conselho de Proteção às Mulheres, foi fundado em 1902 para erradicar a prostituição, dois anos após o fim da Guerra Civil Espanhola, e passou a ser utilizado para reprimir comportamentos femininos que se desviassem das normas estabelecidas pela Igreja Católica. Mesmo com a morte de Franco em 1975, o conselho só foi extinto dez anos depois.
A cerimônia onde o governo concederá indulto às 53 mulheres sobreviventes e as reconhecerá como vítimas da repressão franquista irá acontecer na próxima semana.
O Ministério da Memória Democrática afirmou que qualquer tipo de punição que elas tenham recebido é nula e sem efeito nenhum, pois foi resultado da “repressão e violência exercida pelo Conselho de Proteção às Mulheres por razões políticas, ideológicas ou por causa de seu gênero”.
No ano passado foi criado um departamento governamental para investigar o conselho e até o momento o departamento recebeu 1.600 declarações de mulheres que passaram pelas instituições.
Mulheres vítimas do Conselho
Após sua libertação em 1985, Eva García de la Torre se tornou prefeita de uma pequena cidade na Galiza e foi a primeira mulher a ser oficialmente reconhecida como vítima da junta. Eva foi presa sob a suspeita de ser lésbica, apenas por escrever uma carta discutindo sexualidade. Ela faleceu em 2022.
Outra mulher foi presa após as autoridades acreditarem que ela era “muito apegada às ruas”.
Até o momento, o que ocorreu no conselho tem sido pouco discutido, talvez devido ao estigma associado àqueles que passaram por suas portas, mas também devido à conivência de pessoas comuns que denunciavam as mulheres para as autoridades.
A historiadora, Carmen Guillén, publicou esse ano, em seu livro sobre a instituição, que o conselho podia contar com amplo apoio público e que as pessoas se tornaram suas aliadas e cúmplices. “As pessoas haviam assimilado as ideias do que constituía uma mulher ‘boa’ ou ‘má’ e o que era visto como um desvio feminino. Era uma forma de controle panóptico exercido por suas famílias e vizinhos, bem como pelas autoridades”, reforçou.
Segundo o The Guardian, no ano passado, um grupo representando as ordens religiosas que administravam o conselho ofereceu um pedido público de desculpas. “A todas as mulheres cujos direitos e dignidade não foram reconhecidos”.
Os representantes das vítimas rejeitaram o pedido de desculpas e exigiram verdade, justiça e reparação.