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Cientistas detectam “químicos eternos” tóxicos no Sul da Inglaterra

Estudo no Estreito de Solent encontrou toxidade de químicos em concentração 13 vezes mais alta que o limite seguro

Químicos Solent capa
Vista aérea da cidade de Portsmouth, nas proximidades do Estreito de Solent - Getty Images

Cientistas britânicos identificaram níveis elevados de PFASsubstâncias químicas conhecidas como “químicos eternos”— na região do estreito de Solent, no sul da Inglaterra. Segundo o estudo, publicado na revista Marine Environmental Research, a contaminação foi encontrada em água, sedimentos e ao longo de toda a cadeia alimentar marinha, incluindo espécies de peixes, algas e mamíferos marinhos. Em alguns pontos analisados, os índices chegaram a ultrapassar em até 13 vezes os limites considerados seguros para águas costeiras.

O estreito de Solent fica entre a Ilha de Wight e a costa sul inglesa, formando parte do Canal da Mancha. A pesquisa aponta que os compostos químicos provavelmente chegaram à região por meio de estações de tratamento de esgoto, despejos industriais, antigos aterros sanitários e instalações militares próximas. Os pesquisadores também mapearam centenas de pontos de transbordamento de esgoto e mais de 500 aterros históricos que podem estar contribuindo para a poluição ambiental.

Químicos eternos

Os PFAS formam uma família de milhares de substâncias químicas desenvolvidas para resistir à água, gordura e calor. Por causa dessas propriedades, eles passaram décadas sendo utilizados em produtos como panelas antiaderentes, roupas impermeáveis, embalagens alimentícias, espumas de combate a incêndio e cosméticos. O problema é que esses compostos praticamente não se degradam na natureza, acumulando-se no ambiente e também no organismo humano.

Diversos estudos associam certos tipos de PFAS a problemas de saúde como câncer, infertilidade, alterações hormonais, doenças hepáticas e enfraquecimento do sistema imunológico. Pesquisas recentes também vêm detectando essas substâncias em sangue humano, água potável e animais selvagens em diferentes partes do Reino Unido.

Um dos aspectos mais preocupantes do novo estudo é que muitas amostras apresentaram níveis considerados perigosos não apenas individualmente, mas pela combinação de diferentes PFAS. Cientistas afirmam que os sistemas regulatórios atuais frequentemente avaliam cada composto separadamente, o que pode subestimar os riscos reais da exposição simultânea a múltiplas substâncias químicas.

O professor Alex Ford, biólogo da Universidade de Portsmouth e um dos autores da pesquisa, afirmou ao The Guardian que o caso de Solent provavelmente não é isolado. Segundo ele, padrões semelhantes de contaminação devem existir em outras regiões costeiras do Reino Unido.

A descoberta intensificou a pressão sobre o governo britânico para adotar medidas mais rígidas contra os PFAS. A União Europeia já discute uma proibição ampla dessas substâncias, com exceções limitadas para usos considerados essenciais, como aplicações médicas. No Reino Unido, autoridades anunciaram neste ano um primeiro plano nacional para lidar com os compostos, mas organizações ambientais afirmam que as propostas ainda são lentas e insuficientes diante da escalada do problema.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.