Borboletas do Reino Unido entram em declínio e acendem alerta
Monitoramento de longo prazo no país mostra que mais da metade das espécies de borboletas nativas está em queda

Um novo levantamento sobre populações de borboletas no Reino Unido aponta para um cenário de declínio persistente entre espécies nativas. Dados recentes do programa de monitoramento britânico indicam que mais da metade das espécies registradas apresenta queda ao longo das últimas décadas, reforçando uma tendência já observada em estudos anteriores.
O estudo, baseado em milhões de registros coletados desde a década de 1970, mostra que 33 das 58 espécies nativas analisadas estão em declínio, enquanto uma parcela menor apresenta crescimento ou estabilidade. Esse tipo de levantamento é considerado um dos mais abrangentes do mundo para insetos, já que combina dados científicos com observações de voluntários em diferentes regiões do país.
Borboletas em risco
Entre as espécies mais afetadas estão aquelas que dependem de habitats específicos, como áreas de pradaria, zonas úmidas e florestas bem preservadas. Esses ambientes vêm sofrendo alterações ao longo do tempo, o que reduz as condições necessárias para a sobrevivência desses insetos.
Por outro lado, algumas borboletas mais generalistas — capazes de se adaptar a diferentes ambientes — apresentaram aumento populacional. Espécies como a “red admiral” e a “purple emperor” são frequentemente citadas como exemplos de insetos que vêm se beneficiando de mudanças climáticas mais amplas, incluindo temperaturas mais altas.
O declínio, no entanto, não é uniforme. Ele reflete uma combinação de fatores, como alterações no uso do solo, poluição e mudanças na vegetação, que afetam diretamente o ciclo de vida das borboletas — desde a disponibilidade de plantas hospedeiras até as condições para reprodução.
Estudos anteriores já haviam apontado que esse grupo está entre os mais sensíveis a transformações ambientais. Relatórios indicam que uma parcela significativa das espécies britânicas sofreu redução contínua desde o século passado, especialmente aquelas com nichos ecológicos mais restritos.
Apesar do cenário geral de queda, pesquisadores destacam que há casos de recuperação associados a projetos de conservação direcionados. A reintrodução de espécies e a restauração de habitats específicos têm mostrado resultados positivos em alguns contextos, sugerindo que intervenções locais podem alterar tendências negativas.