Baleia Timmy terá restos mortais transformados em biodiesel na Dinamarca
Após polêmica tentativa de resgate na Alemanha, animal encalhado será processado para produzir combustível sustentável e biomassa industrial

A saga da baleia-jubarte apelidada de Timmy, que mobilizou a opinião pública europeia após uma sequência de encalhes na costa alemã, terá um desfecho industrial na Dinamarca. O animal foi localizado sem vida em meados de maio nas proximidades da ilha de Anholt.
Agora, os restos mortais serão processados pela fábrica Daka Denmark, situada na cidade de Randers, onde a gordura será convertida em biodiesel de segunda geração e o restante dos tecidos em biomassa para geração de energia.
Processamento gera energia
Na unidade dinamarquesa, os componentes do cetáceo são separados para aproveitamento energético total. Segundo porta-vozes da Daka Denmark, a água contida na carcaça é purificada e devolvida ao mar, enquanto a gordura é integralmente destinada à produção de combustível para o setor de transportes.
O restante do corpo, incluindo tendões e pele, é moído para criar uma farinha utilizada como biomassa em fábricas de cimento. Nem toda a estrutura terá fim industrial, pois parte do esqueleto foi entregue ao Museu de História Natural de Copenhague para estudos acadêmicos e preservação.
Missão privada contestada
A trajetória de Timmy terminou de forma trágica após uma operação de resgate controversa financiada pelo empresário Walter Gunz, cofundador da gigante de varejo MediaMarkt. Ignorando alertas de especialistas que defendiam que o animal deveria morrer em paz devido ao seu estado debilitado, a missão privada transportou o cetáceo em uma balsa especial por centenas de quilômetros até o Mar do Norte.
Kirsten Tönnies, a veterinária que integrou a tripulação, denunciou métodos agressivos durante a soltura, enquanto o pesquisador Peter Teglberg Madsen classificou a iniciativa como pura crueldade animal.
Descobertas após morte
Necrópsias recentes revelaram que Timmy era, na verdade, uma fêmea e que não estava grávida no momento da morte. Embora a causa exata do falecimento permaneça incerta devido ao avançado estado de decomposição, especialistas encontraram restos de redes de pesca em seu sistema digestivo, o que sugere problemas de saúde prévios e desconforto extremo.
O caso gerou um intenso debate na Alemanha sobre os limites das intervenções humanas e a necessidade de priorizar avaliações científicas em detrimento da pressão popular em situações de fauna em risco.
*Sob supervisão de Giovanna Gomes