Autoridades palestinas entregam suspeito de ataque a restaurante judaico ocorrido em Paris em 1982
Suspeito foi extraditado nesta quinta-feira pela Autoridade Nacional Palestina, atendendo a um pedido feito pelo Ministério Público Nacional Antiterrorismo da França (PNAT)

As autoridades francesas prenderam um homem de 72 anos apontado como um dos principais suspeitos de um ataque com granadas e armas de fogo contra um restaurante judeu em Paris, em 1982, que deixou seis mortos.
Identificado como Hicham Harb, cujo nome verdadeiro é Mahmoud Khader Abed Adra, ele foi extraditado na quinta-feira pela Autoridade Nacional Palestina, atendendo a um pedido feito em setembro do ano passado pelo Ministério Público Nacional Antiterrorismo da França (PNAT). Segundo as investigações, Harb teria liderado o atentado na Rue des Rosiers e participado diretamente dos disparos contra o restaurante.
O presidente francês, Emmanuel Macron, agradeceu à Autoridade Palestina pela cooperação, classificando a extradição como uma evidência concreta de colaboração judicial após o reconhecimento, pela França, de um Estado palestino em setembro de 2025. Após desembarcar na base aérea de Villacoublay, nos arredores de Paris, o suspeito foi colocado sob custódia, informou o PNAT.
Até hoje, ninguém foi condenado pelo ataque ao restaurante Jo Goldenberg, localizado no tradicional bairro judeu do Marais. De acordo com o portal BBC, a ação deixou, além dos seis mortos, mais de 20 feridos. Na ocasião, os agressores lançaram uma granada no local e, em seguida, pelo menos três homens invadiram o restaurante atirando com armas automáticas contra clientes que tentavam escapar.
No ano passado, o Tribunal de Cassação, a mais alta instância judicial da França, determinou que seis suspeitos fossem levados a julgamento. Três deles seguem foragidos e estariam na Cisjordânia, Jordânia e Kuwait.
O atentado foi atribuído a um grupo dissidente palestino fundado por Abu Nidal, morto em 2002 no Iraque. A organização, que rompeu com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), foi responsabilizada por diversos ataques violentos nas décadas de 1970 e 1980, incluindo assassinatos, sequestros de aviões e atentados em aeroportos.
Dois suspeitos já estão em território francês, entre eles o cidadão norueguês Abou Zayed, apontado como um dos atiradores, e Hazza Taha, acusado de esconder as armas utilizadas no crime.
O que diz defesa
A defesa de Abou Zayed nega qualquer envolvimento dele no atentado. Já Bilal al-Adra, filho de Harb, afirmou que a família considera a extradição ilegal e teme que ele não tenha direito a um julgamento justo. Tribunais de Paris rejeitaram pedidos para que o caso fosse julgado por um júri popular, mantendo a competência de um tribunal especial.
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, que se reuniu com familiares das vítimas no ano passado, afirmou que o governo está empenhado em levar todos os responsáveis à Justiça.