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Ativistas que jogaram tinta em Stonehenge dizem não ter arrependimentos

Ativistas do Just Stop Oil se disseram orgulhosos de sua ação, considerada por eles como uma resposta proporcional à emergência climática

Ativistas jogaram tinta em ao menos três monólitos de Stonehenge
Ativistas jogaram tinta em ao menos três monólitos de Stonehenge - Divulgação

Nos últimos anos, os ativistas do grupo Just Stop Oil (JSO) têm realizado uma série de ações que chamaram a atenção da mídia, abrangendo eventos esportivos, exposições de arte e até rodovias. No entanto, foi o protesto realizado em Stonehenge que, de fato, gerou uma enorme repercussão a nível global.

Recentemente, os três ativistas do JSO que lideraram a manifestação foram absolvidos em um julgamento, e se disseram orgulhosos de sua ação, considerada por eles como uma resposta proporcional à emergência climática. De acordo com o portal The Guardian, eles criticaram a legislação que motivou sua acusação, descrevendo-a como “insana”.

Rajan Naidu, de 74 anos e defensor dos direitos humanos e justiça social, afirmou: “Nossa intenção nunca foi danificar as pedras. Valorizamos e reverenciamos profundamente este monumento tanto quanto qualquer outra pessoa. Faz parte da herança de todos e não há circunstância sob a qual iríamos danificá-lo.”

Naidu enfatizou a gravidade da crise climática atual, citando o recente impacto devastador do furacão Melissa: “Não podemos fazer muito – somos pessoas pequenas – mas estamos tentando compelir nosso estabelecimento, nossos líderes, a tomar ações positivas para mitigar os grandes danos que estão por vir.”

A ação dos ativistas – Naidu, Luke Watson e Niamh Lynch – ocorreu em Wiltshire pouco antes do solstício de verão do ano passado. Utilizando dispositivos chamados “color blasters”, eles pulverizaram um pó laranja feito de amido de milho e corante alimentar sobre três das grandes pedras do monumento. O material foi removido rapidamente, a um custo de cerca de 620 libras esterlinas.

Luke Watson, de 36 anos, afirmou que o grupo verificou que as pedras eram não porosas e não absorveriam o pó: “Estávamos muito confiantes de que não causaria danos ou feriria ninguém que estivesse lá.”

Truque de mágica

Ele comparou a ação a um truque de mágica: “É um pouco como um truque de mágica. Vamos dizer que você é um mágico – você faz o truque ou corta a mulher ao meio, mas há um breve momento em que todos pensam que foi isso que você fez e isso é o que chama a atenção.” Watson, porém, lamentou que enquanto um mágico não seria acusado de agressão grave, eles enfrentaram acusações por danificar um monumento público e causar incômodo público sob uma nova legislação.

A acusação alegou no tribunal que os três ativistas haviam causado sério incômodo ao público. No entanto, as partes envolvidas disseram estar orgulhosas pela ação realizada e afirmaram não ter arrependimentos.

Durante o protesto, Naidu entregou à polícia um papel com a mensagem: “Tratado sobre não proliferação de combustíveis fósseis agora!” E prosseguiu: “Como resultado dessa ação, as pessoas terão pesquisado isso. Não somos fanáticos dizendo que precisamos parar tudo. Estamos dizendo que deve haver uma transição justa, uma transição verde. Isso pode ser feito. Precisamos fazer uma transição para algo viável.”

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.