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Arqueólogos descobrem túmulos de crianças ‘guerreiras’ de 2.500 anos na Itália

Túmulos de cerca de 2.500 anos encontrados no sul da Itália revelam crianças sepultadas com cintos de bronze típicos de guerreiros samnitas adultos

Sepultamento de criança com cinto de metal sobre os restos mortais / Crédito: Divulgação/Cortesia de Soprintendenza Archaeologia, Belle Arti e Paesaggio di Salerno e Avellino

Arqueólogos identificaram no sul da Itália os túmulos de duas crianças enterradas com grandes cintos de bronze — um tipo de objeto normalmente associado a sepultamentos de guerreiros adultos da cultura samnita pré-romana. A descoberta foi feita durante escavações em Pontecagnano, na região da Campânia, e oferece novos indícios sobre práticas funerárias de cerca de 2.500 anos atrás.

Os achados ocorreram em uma área onde funcionava uma antiga fábrica de tabaco. No local, pesquisadores investigaram parte de um antigo cemitério composto por 34 sepulturas datadas entre os séculos 4 e 3 a.C., de acordo com comunicado da Superintendência de Arqueologia, Belas Artes e Paisagem de Salerno e Avellino. Aproximadamente metade dessas sepulturas continha esqueletos de crianças com idades estimadas entre 2 e 10 anos.

Vale mencionar que as escavações em Pontecagnano não são recentes. Desde o início da década de 1960, arqueólogos trabalham na região e já revelaram mais de 10 mil túmulos distribuídos em três cemitérios que abrangem um longo período histórico, entre os séculos 9 e 3 a.C.

Fotografia tirada no local das escavações / Crédito: Divulgação/Cortesia de Soprintendenza Archaeologia, Belle Arti e Paesaggio di Salerno e Avellino

A história da cidade remonta ao século 9 a.C., quando o local foi inicialmente ocupado por populações ligadas à cultura vilanova. Esse grupo introduziu técnicas especializadas de trabalho com bronze no sul da Itália. Cerca de dois séculos depois, comunidades etruscas transformaram Pontecagnano em um importante centro comercial que conectava mercadores gregos, fenícios e povos da península Itálica.

No século 5 a.C., tribos samnitas — conhecidas por sua tradição guerreira e por falarem a língua osca — migraram para a região e passaram a dominar o assentamento. A cidade permaneceu sob influência samnita até a conquista romana do sul da Itália, ocorrida no século 3 a.C.

Crianças guerreiras?

Os cemitérios da cidade já forneceram aos pesquisadores uma grande quantidade de informações sobre os costumes funerários desse povo. As sepulturas geralmente eram organizadas de acordo com unidades familiares e consistiam em covas simples cobertas por telhas. Nos enterramentos, os mortos recebiam objetos funerários variados, como diferentes tipos de cerâmica.

Alguns itens, porém, estavam associados especificamente ao gênero do indivíduo enterrado. Nos túmulos masculinos, era comum encontrar objetos ligados à vida militar, como pontas de lança, dardos e cintos de bronze. Já as mulheres costumavam ser sepultadas com itens como anéis e broches.

Foi justamente essa distinção que tornou a descoberta recente incomum. Entre os túmulos escavados, duas crianças com idades estimadas entre 5 e 10 anos foram encontradas usando cintos de bronze semelhantes aos normalmente presentes em sepulturas de homens adultos.

Sepultamentos encontrados no local / Crédito: Divulgação/Cortesia de Soprintendenza Archaeologia, Belle Arti e Paesaggio di Salerno e Avellino

Os arqueólogos já haviam identificado anteriormente um caso parecido no mesmo sítio. Em uma escavação anterior em Pontecagnano, foi encontrado o túmulo de uma criança de cerca de 12 anos enterrada com um cinto de bronze. “É uma descoberta de grande importância”, disse a arqueóloga Gina Tomay à agência de notícias italiana ANSA em 2021. Segundo ela, o menino viveu no século 4 a.C. e foi sepultado junto a taças de cerâmica, possivelmente destinadas a garantir alimento e bebida na vida após a morte.

Apesar das descobertas, os especialistas ainda não sabem exatamente por que algumas crianças receberam objetos associados a guerreiros adultos. Uma hipótese mencionada por arqueólogos em estudos anteriores é baseada em paralelos com sepultamentos anglo-saxões do século 6 d.C. encontrados no Reino Unido. Nesses casos, meninos foram enterrados com cintos e equipamentos de combate que poderiam simbolizar “os homens que essas crianças poderiam ter se tornado“.

As escavações em Pontecagnano continuam em andamento, impulsionadas por projetos de construção públicos e privados em diferentes áreas da cidade. Por causa disso, os resultados completos das pesquisas arqueológicas ainda não foram divulgados, repercute o Live Science.

Segundo a superintendência responsável pelas investigações, novas informações sobre as descobertas feitas nesse importante assentamento pré-romano devem ser anunciadas assim que os estudos forem concluídos.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.