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A origem da pandemia que devastou cidade há 1.500 anos

Análise de restos humanos na Jordânia identifica bactéria por trás de mortes e reforça ligação com a primeira grande pandemia da história

Imagem ilustrativa - Crédito: Getty Images

Pesquisadores conseguiram identificar a provável causa de uma pandemia que atingiu uma comunidade há cerca de 1.500 anos, a partir da análise de restos humanos encontrados em uma vala comum na antiga cidade de Jerash, na atual Jordânia.

O estudo, conduzido por cientistas da Universidade do Sul da Flórida e publicado em janeiro, partiu de um indício arqueológico significativo: dezenas de esqueletos depositados juntos, sem qualquer padrão ritualístico típico da época. Esse tipo de enterro coletivo costuma indicar situações de colapso social, quando o número de mortos supera a capacidade da população de realizar sepultamentos individuais.

Indícios da crise

A investigação avançou com o uso de técnicas modernas de análise genética. Ao examinar dentes e ossos das vítimas, os pesquisadores identificaram sinais de uma infecção bacteriana como responsável pelas mortes em massa. Embora o estudo não dependa exclusivamente de registros históricos, os dados encontrados dialogam diretamente com o que já se sabe sobre a chamada Peste de Justiniano, considerada por muitos historiadores a primeira grande pandemia documentada da humanidade.

Esse surto, que se espalhou entre os séculos VI e VIII, atingiu vastas regiões do Mediterrâneo, incluindo o Império Bizantino, causando milhões de mortes e profundas transformações sociais e econômicas. A doença é associada à bactéria Yersinia pestis, a mesma responsável por outras grandes epidemias ao longo da história, como a peste bubônica medieval.

O que torna a descoberta particularmente relevante é a forma como ela conecta evidências arqueológicas a dados biológicos. A vala comum encontrada em Jerash não apenas confirma a ocorrência de um evento extremo, mas também revela como essas populações lidaram com a morte em larga escala: enterros rápidos, improvisados e sem cerimônia, sinalizando uma sociedade em crise.

Além de aprofundar o conhecimento sobre o passado, a pesquisa também reforça o papel da ciência contemporânea na reconstrução de eventos históricos. Técnicas de DNA antigo permitem que cientistas identifiquem patógenos em restos humanos milenares, oferecendo respostas que antes pareciam inalcançáveis.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.