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Escavações revelam o primeiro acampamento romano de Vindonissa

Pesquisa em Windisch identifica muralhas e quartéis do século 1, oferecendo visão inédita sobre a vida dos primeiros soldados profissionais da Suíça

Restos da muralha de madeira e terra do primeiro acampamento militar de Vindonissa, na Suíça. As vigas modernas foram inseridas nos antigos buracos dos postes para destacar a estrutura original. Foto: Arqueologia Cantonal/© Cantão de Aargau

Arqueólogos na Suíça concluíram uma investigação de 11 meses que trouxe à tona evidências fundamentais do acampamento militar romano mais antigo de Vindonissa. A escavação de resgate, realizada em Windisch, ocorreu em uma área de 4.000 metros quadrados destinada a um novo projeto habitacional. 

Conforme o Cantão de Argóvia, os achados oferecem uma visão clara sobre o desenvolvimento do sítio entre os séculos 1 e 4 d.C., revelando detalhes inéditos sobre muros, quartéis e o cotidiano da legião.

Muralhas e defesas reveladas

Uma das descobertas mais significativas foi a confirmação da linha sul da muralha defensiva original, feita de madeira e terra. Situada cerca de 70 metros ao sul da fortaleza legionária construída em períodos posteriores, essa estrutura ajuda a definir a real extensão do acampamento inicial

Segundo os registros da Arqueologia Cantonal, o traçado da muralha foi identificado antes de virar para noroeste, fornecendo dados que complementam fossos defensivos encontrados na região há mais de 90 anos. Evidências de vegetação preservada no fosso indicam que as fortificações podem ter ficado abandonadas por algum tempo antes de serem reparadas e reativadas pelos soldados sob o reinado do imperador Tiberius.

Vida nos alojamentos militares

A exploração revelou as bases de um grande edifício, com aproximadamente 9 metros de largura e 30 de comprimento, posicionado sob uma antiga estrada romana. A planta regular do local, dividida em cômodos e entradas, indica que a estrutura servia como quartel para os primeiros soldados profissionais da história

Próximo a essas acomodações, a equipe identificou as ruínas de um forno de pão e uma forja de ferreiro, sugerindo a presença de uma zona de oficinas vibrante dentro do perímetro fortificado. Conforme o relato do autor Dario Radley, a oficina metalúrgica demonstra uma atividade intensa de produção já nos primeiros anos do assentamento.

Cabo de um possível bisturi em forma de cabeça de animal é analisado por restauradores após ser encontrado durante as escavações em Vindonissa. Foto: Arqueologia Cantonal/© Cantão de Aargau

Artefatos e joias raras

Para além das construções, as camadas de entulho próximas ao acampamento revelaram uma coleção diversificada de objetos que atravessam séculos de ocupação romana. Os pesquisadores recuperaram moedas que datam desde a República Romana até a Antiguidade Tardia, incluindo um raro “aureus” de ouro cunhado na época de Tiberius

Outro achado de destaque foi uma minúscula gema de cornalina, gravada com a representação da deusa Victória. Também foram encontrados cabos de bisturis e ferramentas para o trabalho com couro, evidenciando uma sociedade complexa com serviços de saúde e manufatura.

Gema de cornalina gravada com a deusa romana Victória, representada segurando um cetro e uma coroa de louros. Foto: Arqueologia Cantonal/© Cantão de Aargau

Construção de novos lares

O trabalho de campo envolveu cerca de 20 arqueólogos que enfrentaram condições climáticas extremas, desde nevascas no inverno até o calor intenso do verão. Graças ao planejamento rigoroso, o terreno foi liberado em meados de julho de 2026 para o início da construção do empreendimento habitacional denominado Via Romana

Conforme o Cantão de Argóvia, os dados coletados preencheram lacunas históricas essenciais, permitindo que o desenvolvimento urbano de Windisch avance sem apagar o legado arqueológico de Vindonissa.


*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes

Meu propósito é dar voz a narrativas.