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Pela primeira vez, astrônomos identificam exoplaneta com atmosfera em zona habitável

Corpo rochoso localizado a cerca de 48 anos-luz da Terra surpreendeu astrônomos pelo fato de ser dotado de atmosfera

Exoplaneta possui muitas características semelhantes com a Terra - Crédito: Divulgação/Melissa Weiss/CfA

A recente descoberta de um exoplaneta com atmosfera em zona habitável representa um grande passo para a busca por mundos capazes de abrigar vida fora do Sistema Solar. Estamos falando de LHS 1140 b, um corpo rochoso localizado a cerca de 48 anos-luz da Terra.

O estudo, publicado na revista científica Science, descreve como os cientistas conseguiram confirmar a presença dessa camada gasosa ao redor do exoplaneta. Além de orbitar uma estrela anã vermelha dentro da chamada zona habitável — região onde temperaturas podem permitir a existência de água líquida —, o LHS 1140 b agora passa a ser um dos candidatos mais promissores para futuras investigações sobre condições favoráveis à vida.

Como destaca o portal de notícias Galileu, a descoberta reforça a hipótese de que planetas rochosos com características semelhantes às da Terra podem conservar atmosferas estáveis, elemento considerado essencial para a manutenção de ambientes habitáveis. De acordo com Gordon McKay, professor de Ciências da Terra e Planetárias da Universidade Harvard e integrante da pesquisa, o avanço responde a uma das principais dúvidas da astronomia.

“Vinte anos atrás, nos perguntávamos se outros planetas semelhantes à Terra sequer existiam. Então descobrimos que eles são comuns e encontramos alguns na zona habitável. A próxima pergunta era se algum deles havia conseguido manter uma atmosfera. Agora sabemos que pelo menos um conseguiu”, afirmou o pesquisador em comunicado.

Embora mais de 6 mil exoplanetas já tenham sido identificados, determinar quais deles realmente podem sustentar vida continua sendo um grande desafio. Estar na zona habitável não garante, por si só, a presença de uma atmosfera ou de condições adequadas para organismos vivos, tornando necessárias análises detalhadas de suas propriedades físicas e químicas.

Antes mesmo da confirmação, a equipe liderada por Collin Cherubim havia desenvolvido um modelo computacional capaz de simular a evolução das atmosferas planetárias ao longo do tempo. As previsões indicavam que o LHS 1140 b deveria possuir uma atmosfera rica em hélio.

Confirmação da hipótese

A hipótese foi confirmada por meio de observações realizadas com o espectrógrafo WINERED, instalado no Observatório Magellan, no Chile. O equipamento detectou hélio escapando da vizinhança do planeta, o que seria um forte indício da existência de uma atmosfera envolvendo o exoplaneta.

“Esta foi uma validação do modelo e, com sorte, é apenas a primeira de muitas outras observações que virão”, declarou Cherubim. O pesquisador acredita que a metodologia empregada poderá ser aplicada futuramente ao estudo de outros exoplanetas rochosos.

Os próximos passos da investigação incluem determinar a composição completa da atmosfera do LHS 1140 b e verificar se há indícios da existência de oceanos em sua superfície. Caso essas hipóteses sejam confirmadas, o planeta poderá se tornar um dos principais alvos das pesquisas voltadas à busca por vida além da Terra.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.