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Ex-esposa de Maradona resgata polêmica envolvendo camisa usada na Copa de 1986

Polêmica envolve camisa usada por Maradona no segundo tempo da vitória da Argentina sobre a Inglaterra, na Copa do Mundo de 1986

Registro do lendário gol de mão de Diego Maradona / Crédito: Getty Images

A mais recente aparição da ex-esposa de Diego Maradona, Claudia Villafañe, na televisão argentina trouxe novamente à tona uma grande polêmica que envolve uma relíquia do futebol. Acontece que, há anos, corre a incerteza de qual seria a verdadeira camisa usada pelo jogador no segundo tempo da vitória da Argentina sobre a Inglaterra, na Copa do Mundo de 1986.

Nesta semana, Villafañe participou do programa matinal La Cucina Rebelde vestindo uma camisa que, segundo ela, seria a original utilizada pelo craque na etapa em que marcou o gol da “Mão de Deus” e o “Gol do Século”. Durante a atração, Villafañe chamou a atenção para detalhes da peça, como as manchas na gola, os dois tons de azul do tecido, o número prateado e, por fim, o escudo costurado manualmente.

De acordo com informações do portal Globo, ela explicou que a seleção argentina precisou improvisar seu uniforme antes da partida porque não possuía uma camisa reserva adequada para enfrentar a Inglaterra, que atuaria de branco. Segundo Villafañe, funcionárias que trabalhavam na concentração da equipe costuraram os escudos nas camisas pouco antes do jogo.

A exibição da peça, porém, reabriu um debate que ganhou repercussão internacional em 2022. Naquele ano, a casa de leilões Sotheby’s vendeu por 7,14 milhões de libras esterlinas — cerca de R$ 44,5 milhões na cotação da época — a camisa que teria sido usada por Maradona justamente no segundo tempo daquela partida.

Autenticidade contestada

O uniforme havia permanecido por décadas com o ex-jogador inglês Steve Hodge. Foi dele, inclusive, o desvio involuntário que permitiu a Maradona marcar o famoso gol com a mão. Após o apito final, nos corredores do Estádio Azteca, Hodge pediu a camisa ao argentino e recebeu a peça, que guardou por quase 40 anos antes de decidir colocá-la à venda.

A autenticidade do item, no entanto, foi contestada pela família de Maradona. Claudia Villafañe e Dalma Maradona afirmam que a camisa leiloada corresponde apenas ao uniforme utilizado durante o primeiro tempo da partida, que terminou sem gols. Segundo elas, Diego trocou de camisa no intervalo e vestiu outro modelo na etapa final, quando protagonizou os dois lances que entraram para a história do futebol.

Na época do leilão, Dalma afirmou que o próprio pai havia lhe contado que jamais entregaria “a camisa da sua vida”. Para ela, Steve Hodge recebeu apenas a peça usada nos primeiros 45 minutos.

A Sotheby’s, por sua vez, defendeu a autenticidade da camisa leiloada. A empresa apresentou estudos comparando fotografias do jogo com detalhes como costuras, escudo, posicionamento do número e outros elementos do uniforme, concluindo que a peça correspondia, de fato, à utilizada no segundo tempo.

A versão de Hodge

Apesar da controvérsia, Steve Hodge sempre sustentou sua versão dos acontecimentos. Em sua autobiografia, “Steven Hodge, o homem com a camisa do Maradona”, ele relata que a troca aconteceu de forma espontânea logo após o encerramento da partida. Segundo o inglês, ele ofereceu sua camisa ao argentino, que aceitou o gesto antes de seguir para comemorar a classificação da Argentina.

Hodge conta ainda que manteve o uniforme guardado como a maior lembrança de sua carreira. Durante anos, recusou propostas de compra e chegou a emprestar a camisa para museus britânicos, onde permaneceu em exibição. Somente após acompanhar a valorização de outros itens históricos do futebol decidiu colocá-la em leilão.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.