Notícias / Mundo

Poluição pode provocar obesidade infantil, diz estudo

Bebês expostos a níveis mais altos de neurotoxina têm maior chance de não controlar os impulsos alimentares mais tarde, implicando em obesidade infantil

Fotos ilustrativas de criança convivendo com fumaça e obesidade infantil
Fotos ilustrativas de criança convivendo com fumaça e obesidade infantil - Créditos: Getty Images

No começo do mês de julho, um artigo publicado na revista Communications Medicine revelou que a exposição à poluição no ar pode ser causa de obesidade infantil, uma vez que neurotoxinas diminuem as chances dos bebês resistirem a impulsos.

Conforme os pesquisadores, a causadora de distúrbios é a matéria particular 2,5 (PM2,5). Quando em contato com o organismo, ela ajuda a produção de uma neurotoxina que está profundamente atrelada à obesidade. Pois, segundo o estudo, os bebês expostos a níveis mais altos de PM2,5, durante o primeiro ano de vida, tinham maior probabilidade de desenvolver dificuldades com o controle dos impulsos mais tarde na infância.

De acordo com Jamil Lane, coautor da Icahn School of Medicine do Mt Sinai:

Muitas das pesquisas sobre obesidade se concentra principalmente no que está sendo moldada pela dieta e atividade física da criança, e muita coisa pode fazer parte de exposições ambientais, incluindo poluição do ar”.

Os cálculos sobre a obesidade infantil

Contudo, apesar do estudo ser recente, alguns especialistas da área já confirmaram que a descoberta é possível; ainda que precise ser mais avaliada. A brasileira Cecilia Moura, pesquisadora referência em transporte limpo da Union of Concerned Scientists, além de validar a pesquisa, destacou que as novas descobertas “indicam que há evidências suficientes apoiando a correlação para motivar políticas e regulamentos que mitigam a exposição ao PM2.5”.

Ademais, segundo o The Guardian, o PM 2,5 é um poluente de partículas microscópicas emitidas no momento da combustão de combustíveis fósseis. Ou seja, em fogueiras, lareiras, queima de gasolina e etc.

Considerado um possível carcinógeno, substância que afeta o DNA, a partícula está conectada a diversos problemas de saúde, desde demência a derrames. Nos Estados Unidos, a média é que 42% da população adulta estava obesa em 2018.

Para realizar o estudo, fora analisados dados de um grupo de 434 crianças nascidas em grande parte entre 2007 e 2008 na Cidade do México, que fazem parte de um estudo longitudinal de saúde. Assim, foi calculado a quantidade de PM2,5 no ambiente durante a gravidez e o 1° ano de vida das crianças.

Dessa forma, os cientistas chegaram à conclusão de que o grupo com os maiores níveis de exposição ao PM2.5 apresentou um padrão de alta impulsividade, refletindo déficits significativos no controle inibitório.

Embora o recorte geográfico e populacional do estudo ainda seja pequeno, a pesquisa já alerta as autoridades e pais sobre a necessidade de proteger os filhos de ambientes muito poluídos ou sem nenhum tratamento respiratório.


*Sob supervisão de Éric Moreira

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: