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Estudo revela que IA no espaço pode explicar o Paradoxo de Fermi

Pesquisa sugere que civilizações avançadas usam robôs autônomos para exploração silenciosa, o que impediria a detecção humana de grandes impérios

Formação rochosa fotografada pela missão Viking, da NASA, em Marte, em 1976. A imagem já alimentou especulações sobre vida extraterrestre, tema relacionado ao Paradoxo de Fermi, discutido no novo estudo. Foto: NASA/Roger Ressmeyer/Corbis/VCG via Getty Images.

A busca por vida inteligente no universo constantemente esbarra em uma pergunta simples feita pelo físico Enrico Fermi na década de 1950: “Onde está todo mundo?”. Esse questionamento, conhecido como Paradoxo de Fermi, ganha agora uma nova perspectiva por meio de um estudo liderado pelo pesquisador austríaco Sergey Ivliev

Segundo o trabalho, publicado no repositório arXiv e repercutido pelo veículo Live Science, a ausência de sinais alienígenas pode ser explicada pelo fato de civilizações avançadas terem terceirizado sua expansão para inteligências artificiais superinteligentes.

Paradoxo de Fermi e a expansão silenciosa

O cerne da proposta de Sergey Ivliev é o conceito de Filtro de Expansão Silenciosa. Conforme o pesquisador detalha em seu artigo, uma civilização atinge um patamar tecnológico chamado de Indústria Cósmica de IA Autônoma. 

Nesse estágio, a espécie torna-se capaz de criar sistemas espaciais que projetam, fabricam e lançam a si mesmos sem a necessidade de intervenção biológica constante. Diferente dos filmes de ficção científica, essa expansão não envolveria frotas gigantescas ou impérios barulhentos, mas sim sondas minúsculas e difíceis de detectar.

O fim do romance

A motivação para essa mudança de estratégia reside na racionalidade das máquinas. Baseando-se em estudos do astrofísico Sergey Popov, a pesquisa aponta que uma inteligência artificial descartaria razões humanas para viajar pelo espaço, como prestígio, conquista ou romance. 

Para um sistema puramente racional, a expansão espacial serve apenas como uma gestão de riscos. “Os patógenos têm uma tarefa mais fácil porque acabam em um organismo com fisiologia quase idêntica”, afirmou Sergey Ivliev ao explicar por que a IA priorizaria a segurança da informação e do conhecimento em vez da movimentação física de seres biológicos em naves imensas.

Filtros e riscos

Em vez de colônias em outros planetas, essas IAs enviariam sondas de apenas 10 quilos para sistemas estelares vizinhos. Essas sementes conteriam repositórios biológicos e o conhecimento da civilização original, permitindo que a vida fosse reconstruída apenas se necessário

De acordo com o que foi veiculado pelo Live Science, isso explicaria por que não vemos megaestruturas que consomem a energia de estrelas inteiras. Se essa teoria estiver correta, a nossa incapacidade de encontrar esses rastros silenciosos pode significar que estamos em um território perigoso da evolução tecnológica, prestes a enfrentar o mesmo filtro que pode ter silenciado o restante da galáxia.


*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes

Meu propósito é dar voz a narrativas.