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Redescoberta de fóssil revela verdadeiro tamanho do megalodon

Fóssil redescoberto teve papel fundamental nas estimativas de tamanho e peso do megalodon, predador extinto há 3,6 milhões de anos

Mette Elstrup segura um espécime fossilizado de vértebra de 10,8 milhões de anos do extinto tubarão megadente, Otodus megalodon - Crédito: Divulgação/Museum of Southern Jutland, Denmark

A redescoberta de um impressionante fóssil de vértebras gigantes do extinto Megalodon (Otodus megalodon), que estava desaparecido desde a década de 1980, está ajudando os cientistas a entender um pouco mais sobre o maior tubarão conhecido. O material ficava armazenado no Museu Geológico de Copenhague, hoje incorporado ao Museu de História Natural da Dinamarca, mas, depois de ser citado em um estudo científico, acabou sendo extraviado do laboratório onde se encontrava. Por isso, durante décadas, sua existência foi conhecida apenas por fotografias.

A redescoberta do fóssil de 10,8 milhões de anos aconteceu de forma inesperada no fim da década de 2010, quando um funcionário do museu encontrou acidentalmente caixas contendo os fósseis desaparecidos. O material foi então reexaminado pelas pesquisadoras Mette Elstrup e Trine Sørensen, do Museu do Sul da Jutlândia, em parceria com Henrik Lauridsen, da Universidade de Aarhus. Ele foi finalmente descrito no último domingo, 28, na revista Palaeontologia Electronica, conforme informações do portal Galileu.

Um predador redescoberto

Como destaca a fonte, o Megalodon viveu em praticamente todos os oceanos entre 15 milhões e 3,6 milhões de anos atrás e é estimado em até 24,3 metros de comprimento e cerca de 94 toneladas. O espécime redescoberto, vale ressaltar, teve papel fundamental nas estimativas de tamanho e peso da espécie. Como ainda não foram encontrados esqueletos completos de Megalodon, os cientistas utilizam o diâmetro das vértebras para calcular suas dimensões corporais. A comparação foi feita com outro conjunto relativamente completo de vértebras encontrado na Bélgica, atribuído a um indivíduo de aproximadamente 16,4 metros de comprimento.

“O espécime não só representa a maior vértebra de tubarão conhecida até o momento, como também a maior vértebra de peixe já registrada, de que temos conhecimento”, afirmou Kenshu Shimada, professor de paleobiologia da Universidade DePaul, nos Estados Unidos, e autor principal do estudo.

Analisando o espécime

Com o auxílio de microtomografia computadorizada, os pesquisadores identificaram as chamadas faixas de crescimento nas vértebras, estruturas que se acredita serem formadas anualmente. A análise indicou que o Megalodon tinha pelo menos 64 anos quando morreu. Com base em um modelo de crescimento desenvolvido para o espécime, os cientistas estimaram ainda que a espécie poderia atingir cerca de 96 anos de idade.

Segundo Henrik Lauridsen, obter essas imagens exigiu um grande esforço técnico. “Escanear os grandes fósseis de vértebras de baixo contraste, cercados por argila, em altíssima resolução foi um verdadeiro desafio técnico, que resultou na geração de mais de 100 GB de imagens”, explicou.

Durante a investigação, a equipe também encontrou, nas rochas ao redor das vértebras, estruturas associadas às brânquias e pequenas escamas do tubarão-frade (Cetorhinus maximus). Apesar disso, os pesquisadores descartaram que as vértebras pertencessem a essa espécie, já que o formato difere significativamente do observado no Megalodon. A presença desses vestígios levou os cientistas a concluir que o tubarão-frade provavelmente fazia parte da dieta do predador.

Para Mette Elstrup, as vértebras representam uma importante fonte de informações sobre a ecologia do animal. “As vértebras gigantes do Megalodon são de grande importância porque o tamanho importa quando se trata de entender a biologia, o impacto ecológico e o padrão de distribuição geográfica desse predador gigante extinto”, afirmou. Ela destacou ainda que o sítio fossilífero da Formação Gram corresponde ao registro de Megalodon situado na maior latitude já confirmada cientificamente.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.