Museu da música de Bruce Springsteen é inaugurado em Nova Jersey
Museu idealizado por Bruce Springsteen conta a história da música estadunidense através de rico acervo relacionado a nomes como Frank Sinatra e John Coltrane

A cidade de Nova Jersey, nos EUA, ganhou recentemente um novo centro dedicado à música. O chamado Bruce Springsteen Center for American Music é uma grande ode do compositor de Born in the U.S.A. à história da música estadunidense e conta com um vasto acervo, que reúne desde guitarras utilizadas pelo artista até o famoso boné vermelho que aparece na capa de um de seus álbuns mais emblemáticos.
Apesar de levar o nome de Bruce Springsteen, o espaço vai muito além da trajetória do cantor. Mais da metade dos centenas de artefatos expostos está relacionada a outros nomes fundamentais da música americana. Entre os itens em exibição estão o smoking de Frank Sinatra, o saxofone de John Coltrane, manuscritos de letras de Joni Mitchell e uma capa usada por George Clinton. De acordo com a revista Smithsonian, a proposta do centro é preservar o legado de Springsteen ao mesmo tempo em que celebra a diversidade da música popular dos Estados Unidos.
“Sou um pequeno elo de uma grande corrente”, afirmou Springsteen ao comentar a inauguração.
Construído em campus
O complexo foi construído no campus da Monmouth University, em West Long Branch, a cerca de uma milha da residência onde Springsteen escreveu Born to Run há mais de cinco décadas. Projetado pelo escritório de arquitetura Cookfox, de Nova York, o empreendimento custou aproximadamente 50 milhões de dólares e conta com galerias de exposições, arquivos para pesquisa, experiências interativas e um teatro para apresentações.
Os visitantes da inauguração destacaram a quantidade de peças históricas disponíveis. Entre os itens mais admirados estão rascunhos de letras, figurinos usados em capas de discos e objetos pessoais do artista. Muitos relataram que algumas horas de visita não foram suficientes para conhecer todo o acervo.
O primeiro andar é dedicado à história mais ampla da música americana. As exposições exploram temas como gêneros musicais, identidade cultural, ativismo político e transformações sociais. No espaço podem ser vistos manuscritos de Woody Guthrie ao lado de objetos ligados aos protestos contra a Guerra do Vietnã, figurinos de Lady Gaga, recordações dos Beastie Boys, uma trombeta de Louis Armstrong e uma guitarra que pertenceu a Johnny Cash.
Para Bob Santelli, diretor executivo fundador do centro, essa é a seção mais ambiciosa da instituição:
Esta é a sala mais desafiadora porque basicamente estamos tentando contar toda a história da música americana — uma impossibilidade! Um museu mal conseguiria, quanto mais uma galeria, mas tivemos essa ideia que permite entender a profundidade, complexidade e diversidade da música americana”, explica.
Já o segundo andar é inteiramente dedicado a Bruce Springsteen e à E Street Band. Entre as atrações estão uma reprodução do espaço onde o músico costumava escrever suas canções, incluindo livros que o inspiraram e objetos pessoais, além de peças históricas como a jaqueta de couro usada na capa de Born to Run e os equipamentos empregados na gravação do álbum Nebraska, de 1982.
Origem do acervo
Um dos destaques da exposição é um caderno espiral aberto nas páginas onde Springsteen escreveu os primeiros versos de Born in the U.S.A.. O acervo teve origem em uma coleção de objetos reunida por admiradores de Springsteen ao longo dos anos. Inicialmente instalada na Biblioteca Pública de Asbury Park, a coleção acabou superando a capacidade do local, o que motivou a criação de um espaço permanente dedicado à sua preservação.
“O Springsteen Center oferece um lar para os arquivos de Bruce Springsteen e o coloca na história maior da música americana”, diz Santelli no comunicado. “A música popular é um dos recursos culturais mais duradouros e respeitados da América, e Bruce Springsteen é um de seus artistas mais importantes”, finaliza.