Depois de 20 anos desaparecida raposa rara é fotografada pela primeira vez
Há duas décadas não se tinha notícias da raposa-anã-de-Cozumel, até que câmeras de monitoramento capturaram momentos da espécie recentemente; veja!

Recentemente, um registro surpreendeu a comunidade científica e trouxe novas esperanças para os defensores da fauna silvestre. Uma espécie de raposa extremamente rara, que não era avistada há cerca de duas décadas e que se suspeitava de extinção, reapareceu na natureza e foi fotografada.
A raposa-anã-de-Cozumel, agora conhecida por sua natureza esquiva e por habitar regiões isoladas, principalmente a pequena ilha de Cozumel, no Caribe, vinha desafiando biólogos que tentavam encontrar qualquer rastro de sua sobrevivência.
O novo registro comprova que, apesar das pressões ambientais, o animal conseguiu resistir longe dos olhos humanos.
O registro histórico
De acordo com os pesquisadores, que publicaram o estudo na semana passada na revista Neotropical Biology and Conservation, a imagem foi capturada por um biólogo em trabalho de campo. As imagens mostram um macho adulto de corpo inteiro, de perfil e closes do animal.
Anteriormente, equipamentos de monitoramento haviam sido instalados em uma zona de preservação justamente com o objetivo de mapear a biodiversidade local. Porém, a aparição do mamífero para Rafael Chacón, diretor de Conservação e Educação Ambiental da Fundação de Parques e Museus de Cozumel (FPMC), superou todas as expectativas.
A primeira aparição do animal foi em 2023, e Chacón conseguiu fotografar uma raposa-anã-de-Cozumel viva na Colômbia. As imagens foram divulgadas na plataforma iNaturalist — e ao publicar em um artigo, a fotografia se eterniza para a humanidade.
Conforme Travis Bayer, primeiro autor do estudo e fundador da Pathos Publishers, ONG dedicada à conservação da vida selvagem, alguns vestígios da raposa haviam sido encontrados em sítios arqueológicos maias.
Inclusive, o que destaca esses carnívoros dos seus parentes do continente é seu tamanho impressionantemente pequeno. De acordo com o estudo, ela são de 60% a 80% menores que as raposas do continente. Ou seja, essa espécie passou por longos períodos de evolução isolada.
Entretanto, diante da falta de registros do animal, a existência passou a ser questionada e desqualificada. Até então, dezenas de levantamentos foram feitos na região e o animal nunca havia sido encontrado. Assim, a espécie passou a ser considerada possivelmente extinta.
Ademais, outras evidências da existência da raposa baseavam-se em relatos antigos e pegadas que raramente podiam ser confirmadas em laboratório. A nova fotografia em alta resolução, por sua vez, oferece aos cientistas detalhes inéditos sobre a pelagem, porte e o estado de saúde atual do animal.
Esperança para a conservação
Nesse sentido, a localidade era a única considerada para achar a espécie. Com as novas notícias, especialistas se aliviam com a pluralidade de regiões que o animal habita. Em comunicado Chacón disse:
Capturar essas imagens ajuda a conscientizar sobre sua presença e a importância de proteger seu habitat. O que me motiva a continuar é a responsabilidade de ajudar as futuras gerações a compreender e valorizar a biodiversidade de Cozumel.”
O sumiço de 20 anos intrigava especialistas, que agora buscam compreender como o grupo conseguiu existir por tanto tempo sem ser detectado. Uma das principais hipóteses defendidas pelos biólogos é de que o comportamento estritamente noturno da criatura, somado ao relevo acidentado do terreno, tenha servido como um refúgio e escudo natural contra a interferência urbana.
Conforme a revista Galileu, a descoberta abre caminhos para novos estudos científicos focados na preservação ambiental da área. A partir de agora, os especialistas planejam expandir o circuito de monitoramento para identificar se há uma população reprodutiva ativa na região do México para, dessa maneira, traçar estratégias urgentes para garantir a proteção definitiva do habitat desse raro mamífero.
*Sob supervisão de Éric Moreira