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Noruega resgata artefatos de navio afundado há mais de 300 anos

Arqueólogos recuperaram centenas de objetos preservados no fundo do mar após o naufrágio de um navio militar do século XVIII

Artefatos navio capa
Artefatos recuperados no naufrágio - Espen Saastad and Norwegian Maritime Museum

Uma operação arqueológica conduzida na Noruega trouxe à superfície centenas de artefatos que permaneceram submersos por mais de três séculos. Os objetos pertenciam a um navio de guerra que afundou no início do século XVIII e oferecem um raro retrato do cotidiano dos marinheiros e da tecnologia naval utilizada durante um período marcado por conflitos e disputas territoriais no norte da Europa.

Os itens foram recuperados dos destroços de uma embarcação militar que naufragou em águas norueguesas durante a Grande Guerra do Norte (1700–1721), conflito que envolveu diversas potências da região báltica. Graças às condições frias e de baixa oxigenação do ambiente marinho, muitos materiais permaneceram surpreendentemente preservados, permitindo que os arqueólogos encontrassem desde utensílios pessoais até equipamentos ligados à operação do navio.

Tesouros do navio

Entre os artefatos recuperados estão moedas, cachimbos, peças de vestuário, ferramentas, fragmentos de cordame, utensílios domésticos e elementos relacionados à navegação. Alguns objetos apresentam marcas de fabricação e detalhes decorativos que ajudam os pesquisadores a identificar sua origem e compreender as rotas comerciais que abasteciam as embarcações da época.

Segundo os responsáveis pela escavação, o conjunto de peças oferece uma oportunidade rara para estudar aspectos da vida cotidiana dos marinheiros do século XVIII. Embora documentos históricos descrevam batalhas, estratégias militares e decisões políticas, é muito mais difícil encontrar registros sobre a alimentação, os hábitos e as condições de trabalho das tripulações. Os objetos recuperados ajudam justamente a preencher essas lacunas.

A análise preliminar também revelou indícios sobre a organização interna do navio. A distribuição dos artefatos sugere a existência de áreas específicas destinadas ao armazenamento de suprimentos, à preparação de alimentos e ao descanso dos tripulantes. Além disso, alguns materiais encontrados podem fornecer informações sobre os procedimentos de manutenção realizados durante longas viagens marítimas.

Os arqueólogos afirmam que o trabalho está longe de terminar. Cada peça passará por um processo de conservação e estudo detalhado antes de ser exibida ao público. Em muitos casos, a simples remoção da água do mar pode danificar objetos históricos, exigindo tratamentos especializados que podem levar meses ou até anos.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.