Por que uma sirene toca diariamente, ao meio-dia, na Avenida Paulista?
Todos os dias, quem passa pela altura do número 900, da Av. Paulista, se surpreende com uma sirene que soa por 20 segundos; mas qual seu significado?

Um dos maiores centros econômicos de toda a América Latina — e um dos mais importantes do mundo —, a elegante Avenida Paulista, no coração da cidade de São Paulo, também guarda suas próprias peculiaridades e tradições. Uma delas, inclusive, ocorre todos os dias, mas curiosamente, poucas pessoas o motivo.
Afinal, quando o relógio bate meio-dia, uma sirene toca no alto do prédio número 900, onde fica instalado a Faculdade Cásper Líbero e também a TV Gazeta. Mas qual a explicação para isso?
A sirene da Paulista
Todo meio-dia, quem passa pela região do prédio número 900, na Avenida Paulista, ouve uma sirene que soa por cerca de 20 segundos e pode ser ouvida a até 200 metros de distância — com seu volume alcançando cerca de 160 decibéis.
As pessoas que moram ou trabalham aqui já se guiam pela sirene. Depois que toca, você vê várias pessoas saindo dos prédios para ir almoçar”, contou a então superintendente patrimonial da fundação, Angela Esther de Oliveira, em entrevista ao G1, em 2009.
O sinal sonoro está instalado no 17º andar do prédio da Fundação Cásper Líbero e foi trazida pelo jornalista que dá nome ao espaço, Cásper Líbero, na década de 1930, depois que ele realizou uma viagem à França.
Um fato curioso é que a sirene era fabricada desde o início do século passado, e usada pelos franceses como toque de recolher para avisar a população sobre os ataques aéreos da Primeira Guerra Mundial.
Quando Cásper Líbero instalou a sirene na sede da fundação, que na época ficava num edifício no centro de São Paulo — hoje a sede da Justiça Militar da União e antes conhecido como Palácio da Imprensa —, sua intenção era anunciar que as edições matutinas, ao meio-dia, e vespertinas, às 18h, do jornal A Gazeta (do qual era dono desde 1918) estavam prontas.
O prédio da Fundação Cásper Líbero se mudou para a Avenida Paulista em meados dos anos 1960 e, apesar do veículo impresso já não existir mais, a tradição de tocar a sirene foi mantida — agora apenas uma vez diariamente — conforme apontou a superintendente.
“Decidimos isso em respeito aos jornais da região. O som de todas [as sirenes] seria muito alto”, explicou.