Suposto mandante das mortes de Bruno e Dom irá a júri popular no Amazonas
Juíza federal entende que há indícios suficientes para julgar acusado de ordenar assassinatos de jornalista e ativista no Vale do Javari em 2022

A Justiça Federal do Amazonas decidiu levar a júri popular o empresário Ruben Dario da Silva Villar, conhecido pelo apelido de Colômbia, sob a acusação de ser o mandante intelectual dos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips.
O crime ocorreu em junho de 2022, na remota região do Vale do Javari, e gerou comoção internacional devido à violência contra os defensores da floresta. A decisão, assinada pela juíza Cristina Lazzari Souza, estabelece que existem provas de materialidade e indícios de autoria suficientes para que o réu enfrente o Tribunal do Júri.
Provas da acusação
Conforme informações do Ministério Público Federal, a investigação reuniu centenas de registros de chamadas telefônicas e até escutas autorizadas realizadas dentro da cela do acusado. Essas evidências sugerem que Villar forneceu a munição utilizada no crime e custeou os advogados iniciais dos executores confessionais.
A motivação seria uma retaliação ao trabalho de fiscalização de Bruno Pereira, que era servidor da Funai e consultor da associação indígena Univaja, e atuava no combate à pesca ilegal na tríplice fronteira.
Cenário de violência
Dom Phillips, um veterano correspondente que colaborava com o jornal The Guardian, acompanhava Bruno em uma viagem para colher entrevistas para um livro sobre a conservação da Amazônia quando ambos foram emboscados. De acordo com dados da Polícia Federal, o jornalista foi morto para que não restassem testemunhas do assassinato do indigenista.
Além do suposto mandante, outros três homens já respondem como executores do duplo homicídio qualificado e pela ocultação dos cadáveres, que foram encontrados enterrados em área de mata após dez dias de buscas.
Próximos passos jurídicos
Embora Villar negue qualquer envolvimento por meio de sua defesa, ele permanece detido em um presídio de segurança máxima. O julgamento deve ocorrer em Manaus para garantir a imparcialidade dos jurados e a segurança dos envolvidos, atendendo a um pedido oficial das autoridades.
Ainda não há uma data definida para o início do júri popular, mas a decisão é vista por entidades como a Univaja como um passo essencial para a punição dos responsáveis pela rede criminosa na região.
*Sob supervisão de Éric Moreira