Descendente de D. Pedro II é trancado para fora de palácio em meio a disputa
Trineto da princesa Isabel foi expulso do Palácio do Grão-Pará, em Petrópolis, em meio a conflito que envolve outros descendentes da família imperial

Os herdeiros da antiga Família Imperial Brasileira estão em uma ferrenha disputa por um dos imóveis históricos mais icônicos do país. Conforme matéria do porta O Globo, o conflito gira em torno do Palácio do Grão-Pará, em Petrópolis, e opõe integrantes da própria família descendente de Dom Pedro II. Como aponta a fonte, Pedro Tiago de Orléans e Bragança, que afirma que o local teria sido seu lar desde o nascimento, está no centro dessa controvérsia.
A disputa chegou à Justiça após um episódio ocorrido no último dia 9. Na ocasião, o autointitulado príncipe foi impedido de acessar o imóvel por seguranças ao retornar ao palácio depois de sair para praticar exercícios físicos. Segundo o relato apresentado por seus advogados, os profissionais de segurança afirmavam atuar em nome da Companhia Imobiliária de Petrópolis, empresa proprietária do imóvel e que possui entre seus dirigentes o pai e dois tios de Pedro Tiago.
Ainda de acordo com a versão de Orléans e Bragança, o descendente de D. Pedro II e trineto da princesa Isabel conseguiu acessar o terreno por outro ponto, mas acabou ficando isolado dentro da propriedade e temendo por sua segurança.
A fonte destaca que alegações de que agentes da Polícia Militar chamados para atender a ocorrência utilizaram bombas de gás lacrimogênio tornaram a história ainda mais conturbada. A entidade confirmou que foi chamada para atender uma ocorrência relacionada a uma suposta invasão e informou que houve resistência às determinações feitas pela equipe no local. O caso acabou sendo encaminhado à delegacia.
No dia seguinte, acompanhado por advogados, Pedro Tiago tentou retornar ao palácio, mas encontrou outro obstáculo: as fechaduras haviam sido trocadas. A partir daí, a questão foi levada à Justiça. Foi então que, em decisão liminar concedida pela 2ª Vara Cível de Petrópolis, o juiz Adriano Loureiro Binato de Castro determinou a reintegração de posse em favor do morador, ordenando que a Companhia Imobiliária de Petrópolis desocupasse o imóvel.
Após retornar ao palácio, porém, o descendente da família imperial notou o desaparecimento de bens pessoais, entre eles roupas, bicicletas, um tablet, um automóvel, além obras de arte. Seus representantes jurídicos agora estudam quais medidas poderão ser adotadas para recuperar os objetos.
Um imóvel importante
Por trás da disputa estaria uma questão patrimonial de grande relevância. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1930, o Palácio do Grão-Pará é considerado um dos imóveis históricos mais importantes de Petrópolis. Avaliações apontam que a propriedade pode valer cerca de R$ 70 milhões. Segundo os advogados de Pedro Tiago, existe preocupação de que o imóvel possa ser vendido, algo que o príncipe pretende impedir.
Em nota divulgada pela Casa Imperial do Brasil, Pedro Tiago afirmou ter sido privado do acesso a documentos, instrumentos de trabalho e pertences pessoais. Ele sustenta possuir uma ligação profunda com o local já que seus pais teriam se casado no palácio, e ele próprio teria sido batizado ali.
Construído entre 1859 e 1861 em estilo neoclássico, o Palácio do Grão-Pará teve diferentes funções ao longo de sua história. Inicialmente destinado aos camaristas da Corte Imperial, abrigou posteriormente órgãos públicos, instituições de ensino e até a Embaixada de Portugal. Após o retorno da Família Imperial ao Brasil, em 1925, o imóvel passou a servir novamente como residência dos descendentes da monarquia.
Tudo isso ocorre paralelamente a uma ação de usucapião movida por Pedro Tiago contra a Companhia Imobiliária de Petrópolis.