Meteoro que extinguiu dinossauros ajudou a criar refúgio para vida subterrânea
Amostras retiradas da cratera de Chicxulub, no México, revelaram que o buraco do meteoro serviu de refúgio para animais por 8 milhões de anos

Recentemente, pesquisadores da Universidade de Glasgow analisaram amostras extraídas da cratera de Chicxulub, no México, a cicatriz deixada pelo asteroide de 10 km de largura que atingiu a Terra há 66 milhões de anos e extinguiu os dinossauros.
Conforme o estudo, o impacto gerou um refúgio subterrâneo para a vida por 8 milhões de anos. Assim, a história de como a vida se desenvolveu pode ser completamente diferente.
O meteoro e o refúgio
O impacto que extinguiu cerca de 75% de toda flora e fauna da vida na Terra, também deixou um buraco de 200 km de diâmetro. Assim, embora a superfície tenha sido devastada, o imenso calor gerado pela colisão deu origem a um “sistema hidrotermal” único nas profundezas da cratera.
A mistura das rochas derretidas no impacto junto à água do mar do Golfo do México gerou um material poroso, abundante e cheio de pequenos bolsões de água rica em minerais e aquecida pelo impacto. Ou seja, as condições adequadas para a vida microbiana florescer.
Conforme a pesquisadora Dra. Annemarie Pickersgill, do Centro de Pesquisa Ambiental das Universidades Escocesas (SUERC), o material persistiu na região por 8 milhões de anos, o que torna esse o sistema mais longevo do gênero. A cientista destaca:
Em qualquer lugar da Terra que você encontre água quente fluindo, você encontra vida e sabemos há algum tempo que os impactos de asteroides criam sistemas hidrotermais. Pesquisas anteriores realizadas no início dos anos 2000 sugeriram que o sistema criado pelo Chicxulub impacto durou cerca de dois milhões de anos.”
Ao mesmo tempo em que analisa as origens da vida na Terra, segundo a revista Independent, os pesquisadores apontam como a compreensão desses mecanismos de desenvolvimento dos microrganismos podem ser replicados em outros planetas. Pickersgill complementa:
Sabemos que planetas como Marte, que não têm a proteção de uma atmosfera espessa como a Terra, sofreram muitos e muitos impactos durante sua história, […] As rochas porosas e fraturadas criadas por impactos criam microambientes onde os microorganismos podem ser protegidos da radiação e de temperaturas extremas.”
Atualmente, na equipe que publicou o artigo na revista Communications Earth & Environment, há especialistas de universidades da Escócia, Inglaterra, Alemanha, EUA e Canadá.
De todo modo, a pesquisa demonstra mais uma faceta da importância de estudar o planeta Terra e suas origens. Apesar de alguns estudiosos contestarem a relevância desses microrganismos da região do asteroide, o estudo ainda está sendo avaliado por pares.
*Sob supervisão de Éric Moreira