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Vala de esqueletos humanos decapitados de 7.000 anos intriga arqueólogos

Na Eslováquia da Idade da Pedra, dezenas de humanos decapitados foram lançadas em vala comum; historiadores dizem não saber explicar

Vala comum de humanos decapitados na Eslováquia
Vala comum de humanos decapitados da Idade da Pedra na Eslováquia - Créditos: Divulgação/Katharina Fuchs, Agnes Heitmann, Nils Müller-Scheeßel, Till Kühl

O sítio neolítico de Vráble foi ocupado entre 5250 e 4950 a. C por agrupamentos surpreendentes de pessoas. Contudo, um comportamento dessa população intriga arqueólogos. Por que na vala comum do assentamento, todos os esqueletos estão sem cabeça?

O agrupamento reuniu mais de 300 casas agrupadas no sudoeste da Eslováquia e foi descoberto em 2012. Mas um dos bairros foi circundado por uma vala dupla com cerca de 1,3 quilômetros de comprimento. Conforme o estudo lançado na Proceedings of the Prehistoric Society, mais de 77 esqueletos foram localizados desde o começo das escavações da vala em 2022.

Tirando o corpo de uma criança, que permanecia com a cabeça, todos os outros apresentavam sinais de corte nas vértebras superiores do pescoço. Embora o detalhe possa assustar, os especialistas acham que a prática não foi um assassinato em massa violento, mas sim parte de um complexo ritual de enterro há mais de 7.000 anos.

A vala e os humanos decapitados

Apesar da vala ainda não estar completamente escavada, as descobertas foram publicadas em artigo na semana passada. A coautora do estudo, Katharina Fuchs, um antropóloga biológica da Universidade de Kiel, na Alemanha, disse em comunicado:

Primeiras análises sugerem, acima de tudo, que ‘decapitações’ violentas não foram realizadas aqui, mas sim a remoção hábil dos crânios“.

Ou seja, há a possibilidade de que os crânios tenham sido removidos postmortem. Provavelmente manter a cabeça e o rosto intacto dos indivíduos era parte importante da cultura antiga. 

Uma das características mais reveladoras é que as vértebras do pescoço de muitos indivíduos foram encontradas tocando a parede da vala. Diante disso, pode-se dizer que os corpos foram depositados na região já sem cabeça, e não tiveram os crânios removidos posteriormente.

Conforme a Live Science, ainda não se sabe o quão importante era a violência para esses povos. No entanto, é possível teorizar que, para os humanos da Idade da Pedra, o rosto era possível símbolo de personalidade e vida. Se for o caso, outros grupos como os Çatalhöyük no sul da Turquia e em Jericó mostrariam contatos culturais.

Mas Vráble se torna única pelo fato desses crânios não terem sido encontrados até o momento. Os pesquisadores escreveram: “Atualmente, as cabeças são arqueologicamente ‘invisíveis’ para nós”. Essa característica dificulta determinar se esses humanos decapitados eram alvos de violência ou ritual.

Atualmente, uma das teorias mais complexas diz que o comportamento faz parte de um método de afirmação e segurança do bairro, visto que esse é o único bairro cercado por uma vala de proteção e com suas entradas distantes dos outros 2 bairros neolíticos de Vráble. Possivelmente, enterrar ancestrais na vala traria alguma recompensa metafísica.

De todo modo, os pesquisadores estão focados em escavar o resto da vala para analisar e tentar responder as questões pungentes sobre o assentamento. Martin Furholt‚ um arqueólogo da Universidade de Kiel, destacou:

Os primeiros resultados já mostram que Vráble é um sítio de escavação excepcional. […] Ele nos fornece as chaves para a discussão de questões fundamentais; por exemplo, como a morte e o corpo foram compreendidos no Neolítico e que papel as práticas associadas desempenharam no tecido social de primeiras sociedades agrícolas.”


*Sob supervisão de Giovanna Gomes

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: