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Nova datação revela que capacetes encontrados na Espanha são do período medieval

Novas datações por radiocarbono aliadas a estudos contextuais revelaram que conjunto de 43 capacetes da Espanha vem de época pouco documentada

Fotografias dos capacetes espanhóis encontrados debaixo da água
Fotografias dos capacetes espanhóis encontrados debaixo da água - Créditos: Divulgação/M. Frallicciardi; Frallicciardi et al., Antiquity (2026)

Próximo a Benicarló, na Espanha, mais específicamente no sítio subaquático de Piedras de la Barbada, em 1990, pescadores relataram terem pego na rede uma série de placas de metais misteriosas. Através da notificação, arqueólogos investigaram e descobriram a existência de um conjunto de 43 capacetes espanhóis de ferro bem preservados.

Acontece que desde a queda do Império Romano, na região da Espanha, a uniformização dos equipamentos de guerra só foi ocorrer no fim do século 15. Ou seja, todos os capacetes produzidos antes disso, poderiam se parecer com capacetes de outras épocas, como a dos romanos.

Dessa forma se armou uma confusão que fez com que o conjunto de capacetes fosse datado do período romano tardio. Contudo, um recente estudo publicado na Cambridge University Press, redefiniu a data para o final do século 14 e início do 15.

Os capacetes espanhóis

Além disso, os estudos de história, aliados à nova datação, corroboram para uma nova análise. Surpreendentemente, o carregamento caiu no mar em um momento de crescente insegurança no Mediterrâneo Ocidental. Provavelmente destacando que a deposição ocorreu em conflito ou acidente no caminho comercial.

Contando com 43 exemplares, o amálgama de capacetes se classifica como a maior coleção conhecida de capacetes medievais recuperados do Mediterrâneo Ocidental. Acontece que quando foram depositados no rio, ondas de areia e concreções marinhas cobriram o material ao ponto de conseguir preservar fragmentos do forro de tecido dos capacetes.

Desse modo, a partir de um resquício orgânico, foi possível utilizar do método radiocarbono para compreender de quando vinha aqueles equipamentos. A análise datou da segunda metade do século 14 e início do século 15, e foi resultado da combinação de mais de 4 testes.

Com a finalidade de conferir se o tempo correspondia, os arqueólogos recorreram a historiadores para conferir o período. Conforme a Archaeology Magazine, os capacetes pertencem a um estágio mal documentado no desenvolvimento da armadura europeia, devido à falta de padronização.

Por esse motivo, os capacetes não tinham nenhum correspondente já encontrado, dificultando a datação. Porém, as formas e modos de produção indicam que os capacetes espanhóis foram feitos para soldados comuns da infantaria e não nobres ou a cavalaria. Provavelmente foram produzidos em pequenas oficinas e distribuído através de mercados regionais.

Contexto e análise

Ademais, o local em que os capacetes espanhóis foram encontrados funcionava como um deque para embarcações pararem. Ou seja, é bem possível que a carga tenha caído em uma profundidade de 6 metros, em um tipo de cais medieval.

Eventualmente, os arqueólogos afirmam que, a queda da carga pode ser fruto de um furto pirata mal sucedido, visto que, durante o século 14, a pirataria aumentou muito ao longo da costa valenciana.

De todo modo, a comercialização desses materiais indicam uma Europa que começa a construir redes comerciais para sustentar suas estruturas. Não mais imagina-se o estigma medieval de uma vila fechada e autossuficiente em todos os sentidos.

Nesse caso, é possível que os capacetes tenham vindo de redes comerciais que ligavam Valença até Gênova. Por enquanto, podemos apreender a importância de métodos cruzados de datação para conseguir chegar a bons resultados na análise histórica.


*Sob supervisão de Giovanna Gomes

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: