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Ponte romana encontrada por arqueólogos sob rio suíço revela história apagada

Ponte do período do Império Romano tardio conectava os dois lados do rio Aare; restos contam história há muito esquecida

Fotografia de Arqueólogo mergulhando e vendo resquícios de ponte romana
Fotografia de Arqueólogo mergulhando e vendo resquícios de ponte romana - Créditos: Divulgação/Cantonal Archaeology Solothurn / Roman Sollberger

Recentemente arqueólogos que trabalham em Solothurn, Suíça, começaram a investigar o que o rio Arae, que corta a cidade, escondia em suas águas. Até então, os resquícios que abordavam a existência da ponte eram textos de época e algumas estradas que pareciam conectadas, mas que acabavam no rio.

Contudo, com os avanços das obras de reforma da Wengi, uma ponte ferroviária que atravessa o rio, levantamentos subaquáticos foram feitos para compreender a geografia do local. Assim, blocos enormes de pedras e vigas de madeiras foram encontrados e com eles, os primeiros vestígios materiais da ponte.

A ponte romana e seus resquícios

As primeiras descobertas apareceram em 2025, mas a comprovação veio somente nos últimos dias, quando os pesquisadores removeram uma pequena fração dos materiais e fizeram testes para a datação. Conforme os arqueólogos, as vigas de madeira datam do século 4 d. C., período do Império Romano tardio.

Ao que tudo indica, a ponte foi feita no período em que Salodurum, antigo nome da localização, se tornou uma um centro fortificado com amplo controle portuário. Conforme a Archaeology Magazine, à época, esses centros eram conhecidos como “castrum”.

Ademais, os arqueólogos conseguiram mensurar que algumas das madeiras tinham cerca de 2 metros de comprimento, juntamente com pilhas de pedras a 10 metros da margem sul do rio. De qualquer maneira, os resquícios apontam para um ponte rígida e resistente.

Entretanto, não é de hoje que historiadores desconfiam da existência da ponte. Durante décadas desconfiava-se da existência de uma rota que ligava o norte da Itália à fronteira do Reno. Desse modo, os viajantes que vinham de Great St. Bernard Pass cruzavam o Planalto Suíço Ocidental e a região do Jura antes de chegar ao Aare.

Outro indício é que o próprio nome Salodurum, em celta, podia ser interpretado como “rio estreito” ou “portão de onda”. Ou seja, muitos indícios para uma região só. Mas até então, nenhuma prova material havia aparecido.

Alguns historiadores destacaram que a sobrevivência do material às reformas nas bordas do rio é impressionante. Surpreendentemente, pode ter sido justamente a proteção da Ponte Wengi que evitou grandes distúrbios nos materiais.

De toda maneira, os especialistas disseram que as reformas não causarão problemas aos vestígios arqueológicos e que farão mais expedições para compreender melhor a localização. Nesse sentido, a descoberta da ponte romana de Solothurn, ou na época, Salodorum, remonta detalhes há muito esquecidos.


*Sob supervisão de Giovanna Gomes

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: