Periquito descoberto em 1920, visto só uma vez, é reencontrado na Indonésia
Em quase 100 anos o lorikeet-de-testa-azul, periquito típico da Indonésia, só tinha sido visto uma vez, cientistas comemoram redescoberta

O periquito lorikeet-de-testa-azul foi descrito pela primeira vez em 1920 através de 7 espécimes encontrados. Porém, o animal encontrado na floresta de várzea e de elevação média de Buru, Indonésia, só foi encontrado de novo em 2014.
Contudo, o breve de 2014 não foi suficiente para oferecer muitas informações aos pesquisadores. Assim, desde então o pequeno papagaio voltou a ser um mistério para a comunidade científica.
Dessa vez, o encontro com o pequenino excepcionalmente colorido, durante uma caminhada organizada por especialistas, proporcionou as primeiras gravações de áudio conhecidas de seu canto e as mais novas fotografias dos espécimes em natura.
Os caçadores do periquito na Indonésia
O encontro foi organizado pela American Bird Conservancy, organização sem fins lucrativos que busca analisar espécies raras de aves. Nessa expedição o grupo de biólogos foi por uma nova rota para o topo do Monte Kapalatmada, de 8.850 pés, o pico mais alto do Buru.
Foi apenas no sexto dia de expedição que John Mittermeier, durante a caminhada, pelas remotas terras altas, em abril, viu dois pequenos pássaros correndo entre as árvores. Ao analisar com mais atenção percebeu que estava vendo um lorikeet-de-testa-azul.
Sobre o encontro, Mittermeier, para a Smithsonian Magazine disse:
Há um lorikeet brilhante e verde-limão com um bico laranja brilhante me olhando através das folhas,”.
John Mittermeier é ornitólogo com a American Bird Conservancy e diretor do programa Search for Lost Birds e em 2025 viu os grupos adicionarem o raro periquito da Indonésia à lista de aves perdidas. A falta de avistamentos em uma década poderia indicar o extermínio completo da população.
Conforme o relato de James Eaton, a caminhada foi difícil. Uma vez que a ilha é pouco ocupada e tiveram dificuldades com o terreno o mau tempo, plantas espinhosas, falta de água e até formigas agressivas. Contudo, para eles, a turnê valeu a pena ao encontrar o “santo graal do grupo”. Nesse sentido, o avistamento de Mittermeier foi um alívio, prova de que as criaturas aladas coloridas ainda existiam. Sobre o assunto, em entrevista destacou:
O fato de que este lorikeet sobrevive nas montanhas de Buru e que podemos ter a chance de ajudar a protegê-lo nos diz que há esperança para as espécies e a biodiversidade em geral. Para mim, uma redescoberta como essa é sobre esperança.”
De qualquer maneira, o grupo diz ao todo ter encontrado cerca de 9 espécimes. Sinal de esperança para a espécie que só existe em Buru, uma grande ilha do arquipélago de Maluku, na Indonésia. Em vídeo pesquisadores mostram canto inédito do animal, acompanhe:
Perspectivas da descoberta
Diante da novidade e da descoberta, Eaton, comenta que foi como dose de adrenalina no corpo. Falou:
Isso faz com que toda a pesquisa, leitura, plotagem—alguns dos quais são anos para fazer—totalmente justificados. Faz você se sentir vivo. … Esses momentos de alegria e descoberta são um lembrete saudável de como há um mundo bonito lá.”
De todo modo, o encontro das aves apenas na região indica que possuem um nicho ecológico estreito e habitam uma área muito pequena. Embora o encontro cause esperanças, os conservacionistas continuam preocupados com a espécie e seu futuro.
Segundo a Smithsonian, o progressivo desmatamento e a pressão ecológica podem levar os espécimes à verdadeira extinção. Logo, os pesquisadores destacaram que deve haver esforços para evitar que esses periquitos sejam presos para o comércio de animais de estimação.
Conforme John Mittermeier, em janeiro de 2026, 121 espécies de aves agora são consideradas perdidas em todo o mundo. Mas, sobre o ofício e o encontro, destaca:
Tentar encontrar espécies perdidas é difícil e … pode ser deprimente. […] Às vezes, procurar uma espécie perdida pode ser como escrever o obituário para algo que se foi. São os resultados positivos e a redescoberta como essa que fazem todos esses desafios valerem a pena.”
De todo modo, os cientistas pretendem encontrar mais com o espécime para poder compreender seus hábitos e costumes.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes